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terça-feira, 18 de março de 2008

A Teoria Geral das Forças Produtivas 14 – Sistemas complexos de economia globalizada

As formas populares de mercado passaram a ser nichos de grande valor institucional, a serem explorados com sistemas próprios de qualidade.


Os novos estágios da globalização não compreendem mais um mercado único, a não ser como abstração, como noção geral. No mundo objetivo existem vários mercados, mas não como normalmente alguém se refere a eles, como se fossem o plural dessa mesma noção básica do sistema social de trocas. Há vários gêneros de mercado, várias naturezas de mercado, e aqui também não se faz outra ramificação comum, a de um mercado formal e outro “informal”, a de um mercado regular e outro “negro”, ou a de um “mercado” e outro “paralelo”. Está se afirmando que o mercado passou a ser um sistema muito complexo, e prova disso é o retorno das ações de Estado na área social, com amplo sucesso para a economia dos países que adotam essas medidas, no caso, o Brasil, mas há outros, como a Índia e a própria China. Como explicar isso pela teoria ortodoxa? Mas não a chamemos de ortodoxa, vamos chamar de clássica, neste caso, que é um termo mais adequado. De modo algum o estágio em que se encontram os vários mercados no mundo contrariam Adam Smith, em seu princípio básico. Nas formas, sim, mas na idéia central da divisão de trabalho e sua força motriz, não.


O que se verifica é que novos níveis de mercado se sobrepuseram, uns aos outros, e a economia natural entre eles os dispôs dessa maneira. Em outras palavras, não há remédio “para trás”, mas apenas “para frente”. Esses mercados “básicos” não são “situações de “emergência” a serem “sanadas”. O Bolsa Família pode ser visto como programa específico de ação social do governo Lula, oriundo do PT e do movimento popular de democratização brasileira, este é um modo ideológico de significação, ou pode ser visto como organização necessária das novas condições econômicas na globalização, aí se torna questão técnica. Não são incompatíveis as duas formas de se observar o fenômeno positivo em que se transformou a “alavancagem por baixo” da economia brasileira, nos últimos anos, desde que se veja que a questão técnica abre a possibilidade e a necessidade dessa organização ser feita em qualquer governo, daqui em diante. Mas o que teria acontecido, então, com a “realidade clássica” do mercado?


O que ocorreu é que as distinções sociais se institucionalizaram também de uma outra forma, além da visão das “classes sociais”. Com a globalização, formalizaram-se níveis de trocas que antes seriam vistas como “não econômicas”, ou como “antieconômicas”, e estas se integraram ao sistema produtivo de maneira fundamental, ou seja, os níveis mais avançados de mercado estão apoiados nas formas básicas do mercado. O que era antes considerado apenas “economia popular”, “economia informal” e “economia de subsistência”, hoje dá sustentação aos níveis mais competitivos do mercado internacional. Estabeleceu-se entre os vários níveis de mercado, certamente não há apenas dois, relações de reciprocidade sistêmica, e não mais de mera “convivência” ou “concorrência”. A circulação de riquezas incorporou todos os níveis, lugares e culturas da produção no mundo, este é o fato. Então, populações paupérrimas e semi-rurais do Vietnã garantem o sucesso da assembléia de acionistas da Nike, tribos indígenas da Amazônica consomem regularmente alguns produtos bastante sofisticados da economia globalizada, o consumo de eletrodomésticos nos bairros pobres do Brasil atuaram decisivamente na retomada do crescimento econômico em todos os níveis, inclusive os tecnológicos de ponta. Com isso, verificou-se que a proteção dos níveis mínimos de gravitação sócio-econômica fazem com que os níveis de colaboração e aceitação em todo o sistema produtivo aumentem muito, diminuindo os distúrbios, tensões e a própria desigualdade gerada pelo sistema competitivo. A ação social como “pára-choques” dos “efeitos perversos” do progresso econômico não é novidade. A novidade é que esses dispositivos possam funcionar como fomento econômico e não mais como assistencialismo. É claro que isto depende da concepção e dos modos de implantação e administração desses programas. Mas não é só isso. É fundamental perceber que existe hoje uma “diversidade” de mercados “válidos”, e que todos eles podem ser explorados produtivamente, dentro de seus parâmetros, sem que um possa neutralizar ou eliminar o outro. São novas formas de equilíbrio econômico e de fatores dinâmicos a serem reconhecidos.


Não se pode mais ver o mercado “popular” com ingenuidade, ou classificá-lo como “secundário”, pois muitos dos produtos destinados a essa faixa de consumo têm tecnologia avançada. Também não se pode colocá-lo ao mesmo nível dos produtos mais caros e sofisticados, contudo, é preciso buscar a qualidade nos limites econômicos dessas faixas de troca. Por exemplo, nas casas populares. A concepção dos bairros populares e das construções em bloco de habitações populares está completamente ultrapassada, nas culturas avançadas. É possível personalizar cada uma das construções, segundo sistemas de controle de construções muito mais sofisticados, e isto produz um grande impacto positivo sobre a sociedade: a urbanização dos bairros populares. Os níveis de escolaridade vão às alturas, os níveis de criminalidade despencam, o grau de cooperação com as estratégicas econômicas coletivas são potencializadas, o nível de satisfação das gestões públicas e a qualidade do retorno que essas populações passam a dar tomam um impulso incrível, simplesmente porque as condições urbanas dos bairros populares melhoraram muito, com poucas medidas, alterando-se completamente o ambiente interno dessas comunidades. Um pequeno conjunto de melhorias, começando pelo plano das residências, através de avanços gerenciais, produziriam resultados impossíveis para os projetos tradicionais. Princípios análogos devem ser usados nos conjuntos habitacionais (prédios) e em todos os sistemas agregados a essas regiões. Pequenas melhorias de concepção e de gestão de qualidade teriam impactos sociais enormes e positivos. E isto pode ser feito, desde que se perceba que as soluções “populares” não são alternativas de precariedade ou de pobreza, mas sim de simplicidade e de modéstia, contudo, constituem verdadeiros dínamos da produção de riquezas, se não forem desativados ou desarticulados. A tendência é que esses investimentos, 20 ou 30 anos mais tarde, sejam irreconhecíveis, pela prosperidade, quer dizer, o projeto urbano bem elaborado serviu de plataforma social. Já existem casos semelhantes deste ocorrido, porém limitados pelo projeto original do “tudo igual” e pela visão insuficiente do que seja “popular”.


Basicamente, o popular não pode ser de modo algum sinônimo de “baixa qualidade”, pois este será o refluxo social; tem de ser no mínimo o de “menores custos”, mas, em projetos suscetíveis de expansão sistêmica e em ambientes de prosperidade. A orientação produtiva inverteu de sentido: é preciso investir nos setores menos “sofisticados”, pois estes passaram a ser os mananciais sistêmicos dos níveis mais avançados e competitivos do mercado global.


Teoria Geral das Forças Produtivas 14

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