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domingo, 16 de março de 2008

Projeto Cidades do Futuro 19 - Gestão da metrópole e coordenação de movimentos intraurbanos

COMO GERENCIAR GRANDES MUDANÇAS EM GRANDES CIDADES, JÁ SATURADAS?

Por que foi tão importante costurar ponto a ponto a possibilidade de gerenciar movimentos demográficos calculados na área metropolitana? Porque, se essa movimentação de contingentes populacionais se tornar factível no desenvolvimento do projeto urbano, diluí-se, ou desconstrói-se, ou fica demolida a imagem da grande metrópole como monstro indomável e incontrolável, e este passa a ser um passado mitológico na história das cidades. A cidade se torna novamente suscetível de ser moldada em níveis estruturais, não importa quão complexa ela tenha se tornado, e quão grande seja o impacto dessa reforma. Haverá um sistema, seus métodos, seus critérios, para o planejamento de uma complexa rede de movimentos internos, antes engessados pelo próprio gigantismo urbano.


Essa costura teve como ponto inicial a compreensão da relação imediata e direta das funções e lugares de trabalho com os desenhos da cidade. As relações de trabalho em profunda transformação abrem perspectivas inusitadas na gestão de uma grande metrópole, abrindo janelas negociais e profissionais mais fluidas, e este novo quadro produtivo se transfere para as formas de materialização dos espaços urbanos. Os ambientes e condições de produção não estão mais tão amarrados, fixos a determinados lugares, e com isso as necessidades de estabelecimento ou de circulação pela via urbana irão se modificando profundamente. Toda a massa urbana se torna mais maleável. Novas dinâmicas administrativas podem ser concebidas, elaboradas e implantadas. Os conceitos de gestão nos vários campos devem sofrem grandes influências dessa grande guinada histórica.


Determinado esse fator básico, o acesso ao trabalho nas culturas avançadas, como novo motivo central das formações urbanas, foi preciso em seguida propor os prováveis elementos de transformação ou de criação dos novos projetos urbanos, e isto foi feito através da atualização dos planos de infraestrutura da cidade, seguindo a lógica sistêmica de água, energia e circulação, já subentendendo os demais contextos produtivos atualizados. Mas, antes de se instruírem os projetos de reurbanização, foi preciso fechar essa costura com uma breve análise de como se poderiam conduzir, em linhas gerais, os negócios de desapropriação de propriedades, em áreas destinadas à demolição. Este era o ponto-chave, pois, ao se lidar com a dimensão das grandes metrópoles, e se deparar com a intensidade das desapropriações que serão necessárias ao longo do tempo, com o número de pessoas envolvido nesses deslocamentos de domicílios, empresas e demais instituições, se não fosse oferecida uma perspectiva razoável de se poderem efetuar essas desapropriações, então as formas de uma cultura avançada permaneceriam trancadas pelos muros visíveis e invisíveis da cidade. Com isto se afirma que, se os novos espaços não puderem ser construídos, não haverá como instituir adequadamente níveis civilizatórios mais avançados. Obviamente haverá áreas e prédios preservados, integrados aos novos planos, mas mesmo assim muita coisa deverá ser reconstruída, para que as metrópoles atuais consigam transitar para o futuro e reconquistar seu próprio tempo. Nesse projeto, passam a ter a perspectiva de se atualizarem, e podem ter à sua disposição vários anos, várias décadas, para fazer com que a nova cidade surja de dentro da velha cidade, sem que isto implica em destruir a memória urbana.


Fechado o ciclo "teórico", havendo em mãos uma metodologia inicial, então será possível elaborar os projetos e propostas de gestão. Essas grandes movimentações intraurbanas não serão lineares. Se determinado projeto, de determinada fase da reurbanização, incluir, por exemplo, 20 áreas selecionadas, a partir disso uma infinidade de reações será desencadeada em toda a cidade. Se determinada área de um bairro deve ser totalmente esvaziado, haverá nas outras 19 áreas condições de recepção desses contingentes, e janelas negociais e profissionais já previstas, ou seja, o que irá orientar esses movimentos será a readaptação às atividades cotidianas mais simples, sempre tomando como base a relação de trabalho, a geografia do trabalho. Mas, pode ocorrer que determinada família ou empresa se mude para outra região não especificada no projeto, pois haverá ofertas adicionais disponíveis. No final, o jogo urbano estabelecido fará com que esse grande número de pessoas, cujas residências ou sedes profissionais sejam desapropriadas, possam se estabelecer sem grandes dificuldades em novas instalações. Aliás, se cumprido o projeto integralmente, é possível que outras movimentações espontâneas e naturais, fruto da liberdade de "ir e vir", façam com que as famílias se mudem naturalmente para novas residências mais próximas de seu trabalho ou de outras atividades básicas da família (proximidade de parentes, escola, etc.).


É possível, a título de ilustração, que em São Paulo se consiga movimentar nesses parâmetros 2 milhões de pessoas, em 25 anos, e com isso normalize toda a vida da cidade, deixando mais tranqüilos os anos vindouros da reurbanização. Grosso modo, se 2 milhões de pessoas deixam de se fixar ou circular por áreas saturadas, e passam a viver em áreas reurbanizadas, só o impacto linear direto já seria o dobro, ou seja, eliminou-se um fator negativo 2 e incrementou-se um fator positivo dois, traduzindo, um impacto de movimentação de 4 milhões de pessoas. Mas, na verdade, esse impacto, por não ser linear, divide-se por toda a cidade, reduzindo sensivelmente as tensões dos atuais quadros urbanos. Para isso, entretanto, será necessário ocupar novas áreas da região metropolitana, tanto para que se inicie o projeto, deslocando para novos centros comerciais distantes do centro um grande número de postos de trabalho, quanto para que se comece a reurbanizar as regiões mais degradadas, e os bairros mais problemáticos da periferia.


Ainda que na realidade objetiva e nas medidas práticas muita coisa precise ser mudada, especialmente ao longo do tempo, com a alteração dos fatores sociais, econômicos e tecnológicos, o fundamental é que se tenha visto que a gestão sistêmica de uma grande metrópole não está além do nível de conhecimento da sociedade. Mesmo que esta metrópole seja São Paulo, é possível equacionar e resolver cada um de seus problemas, abrindo-se o espaço para o surgimento de uma cidade de cultura muito mais adiantada que a atual. E se a abordagem pelo conhecimento é capaz de diluir os problemas descomunais e ossificados da capital paulista, então é possível avançar ou corrigir os projetos urbanos de todas as cidades brasileiras.


Projeto Cidades do Futuro 19



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