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sábado, 15 de março de 2008

Projeto Cidades do Futuro 18 – Um Futuro para São Paulo 4


FOTOS DO ANHANBAÚ, ATUAL, EM 1958 E EM 1915

HÁ COMO APROFUNDAR AS REFORMAS URBANAS E A REVITALIZAÇÃO DE SÃO PAULO?

Mesmo tendo a análise deste projeto indicado que a construção das cidades do futuro é mais adequada a novos territórios, “a partir do zero”, por haver um coeficiente bem menor de resistências e condições mais favoráveis à instalação do novo, isto não quer dizer que estas propostas não sejam indicadas às cidades existentes, sobretudo às áreas urbanas mais problemáticas, como nas metrópoles brasileiras. São Paulo é tomada como plano-piloto, mas seus princípios poderiam ser discutidos em outra grande cidade, nestes termos: novas formas de redução de impactos ambientais, de utilização dos recursos naturais e de construção e estruturação urbana, formando paisagens urbanas a partir das novas relações de trabalho e produção cultural, nas sociedades de alta tecnologia.

Recapitulando as propostas para a reurbanização de São Paulo, estão inclusas, em ordem sistêmica, 3 grandes obras de infraestrutura:


  1. Repensar a cidade começa pela água. ir refazendo todo o sistema hídrico da cidade, ao longo dos anos e das décadas, introduzindo-se o reuso da água e a formação de redes independentes para águas de vários usos, ver o artigo Cidades de Água, como referência básica. A essa obra estão associados uma rede hídrica específica para o saneamento, a filtragem de dejetos, resíduos e rejeitos, um sistema completo de tratamento de lixo, a desobstrução das áreas marginais dos grandes rios paulistanos (sua conversão em parques e áreas de preservação), a despoluição gradativa e completa dos rios, a instituição de uma nova cultura hídrica na cidade e a mudança dos códigos de construção civil, nos pontos de adequação ao plano, alterando-se também outras normas de habitação e convívio, de acordo com as novas estruturas e sistemas. Abrange esta linha de ação também o estudo das condições hidrológicas, incluídas as taxas de cobertura vegetal, os índices de absorção de água-impermeabilização do solo urbano, os cálculos das galerias pluviais, etc.;

  1. instalar sistemas em expansão e alternativos de energia. A essa obra estão associadas novas formas de instalação das redes, e de acesso a elas, além de novas regras de distribuição de energia, pois, em poucas décadas é possível que milhares de domicílios e indústrias sejam superavitárias, na produção energética. Deve-se estudar cuidadosamente o desenvolvimento da economia do hidrogênio, para que se leve em conta o máximo de fatores possíveis dessa produção futura, já na instalação atual dos sistemas energéticos.

  1. Refazer e reintegrar totalmente os sistemas de circulação da cidade, Criar novas artérias urbanas de múltiplas vias, próprias à utilização em paralelo de vários tipos de veículo, ou facilitando as formas de passeio através de travessias cobertas, iluminadas, começando este item pela instalação de novos projetos urbanos em áreas relativamente desocupadas, como formas de descentralização dos postos de trabalho, criando 2 ou 3 grandes áreas de concentração administrativa e comercial nos extremos da cidade, alterando a geografia do trabalho e desafogando os bairros centrais e o centro da cidade. Ao mesmo tempo, redesenhando as áreas centrais e reconstruindo a cidade, a partir desses dois pólos, o novo periférico e central. A esse novo sistema viário estão associadas formas de ampliação do transporte de massa e o desenvolvimento de novos veículos, de novas formas de circulação, sem esquecer que as necessidades serão alteradas pelo redimensionamento das rotas de trabalho, estudo, lazer e outras atividades. A esta obra também se associa a ampliação do sistema de anéis viários e o distanciamento maior ou desvio das áreas de entreposto, trânsito, carga e outros serviços, em relação ao perímetro metropolitano. Integram-se a esses sistemas ainda o sistema de “infovias”, os cabos e estações dos sistemas de informação.

À primeira vista este projeto pode parecer custoso, mas à medida que examinam as possibilidades de sua realização, percebe-se que, além de reunir medidas necessárias de gestão urbana no futuro imediato, ele não seria mais custoso que o prosseguimento das gestões feitas até agora, pois boa parte das ações propostas baseiam-se em puro redirecionamento administrativo, e acabam corrigindo as curvas de gastos públicos, pela implantação de sistemas bem mais avançados. Depois, o planejamento integrado e estratégico tende a baixar enormemente os custos básicos das estruturas urbanas. Além disso, o desenvolvimento tecnológico acelerado também deve fazer com que muitas tarefas sejam simplificadas, executadas com maior eficácia, e se tornem também menos dispendiosas, no decorrer dos anos. E as relações custo-benefício também são muito favoráveis a essas propostas de reurbanização, pois, depois de instalados, a efetividade desses sistemas será enorme, sem comparação com os sistemas anteriores, considerando-se ainda as possibilidades de interação, potencialização, expansão e evolução contínua desses projetos baseados em conhecimento avançado.


Desde já, grandes projetos precisam ter como referência um planejamento urbano para a São Paulo 50 anos à frente, sem pular as etapas de todas as fases necessárias para se atingir essas metas, tendo-se já uma imagem mínima de como deverá ser a cidade em cada um desses estágios, a partir de um marco como, por exemplo, 2015 ou 2020. Ao cálculo de impactos ambientais deve-se acrescentar novos índices de “cálculo de impactos urbanos”, para que se avalie de modo sistemático o nível de saturação de demandas e ofertas urbanas, nos vários pontos da cidade. Isto evitaria que torres muito altas e grandes conjuntos de prédios fossem construídos em áreas já saturadas de demandas urbanas, e esses projetos poderiam ser convertidos em vários projetos menores de reurbanização, ou deslocados para outra região (as novas áreas propostas), e poderiam aguardar ainda que a área pretendida passasse a comportar as novas instalações.


A "CURA" DO ORGANISMO METROPOLITANTO


São Paulo é constituída por interespaços dispersos e desorganizados, por um baixo índice de integração, na divisão das várias funções urbanas (habitação, comércio, indústria, administração pública, escola, lazer, esportes, a especialidade dos serviços, setores administrativos, etc.). Isto não quer dizer que não haja redes extensas, complexas e interligadas, mas que o grau de concentração é grande demais, e os afluxos de qualquer natureza tornam-se muito confusos: sistemas de infraestrutura, pessoas, veículos, sistema viário e redes de transporte, separação e equilíbrio entre os vários campos de atividade, etc. As microrregiões urbanas precisam ser mais bem definidas, é preciso haver a modulação mais clara na proximidade de atividades afins (as “vocações” de cada rua, esquina, bairro, etc.), e elas precisam ser divididas de forma mais consciente (evitando falar “controladas”).


AS DESAPROPRIAÇÕES


Seria impossível executar um projeto deste porte fora de uma sociedade tecnológica e de cultura avançada, pois há vários pressupostos de compreensão produtiva, como as condições de negociação dos valores ou as perspectivas que se abrem diante de cada tema ou questão.


A população só abriria mão de seus valores se estivesse preparada para compreender a troca de valores simbólicos mais amplos que o valor nominal dos títulos. Mesmo assim, qualquer proposta do Estado à população de setores ou bairros a serem reurbanizados, redesenhados e reconstruídos, precisa obrigatoriamente apresentar aos cidadãos valores maiores que aqueles que as famílias detêm em determinado momento. Só mudariam de casa se soubessem reconhecer a perspectiva contratual em curto ou médio prazo de passarem a morar em casas melhores que as atuais, em vizinhanças afetivamente próximas do ambiente anterior, tendo diante de si um conjunto de opções de vida mais atrativas que as de então. O mesmo princípio vale para as empresas e demais instituições. Contudo, somente a dinâmica de gestões avançadas é capaz de cumprir planos para se tornar hábil a fazer essas ofertas. Mas, ao se habilitar a fazer tais negociações, o Estado tem diante de si a perspectiva de realizar operações infinitamente mais tranqüilas e menos custosas, de desapropriação de áreas. Que se consultem os registros dos intermináveis conflitos, processos e problemas criados pelas desapropriações, no passado. Nos novos projetos públicos, urbanos ou não, desde que a gestão se faça pelo conhecimento, seria possível negociar em bases sempre muito vantajosas para os todos os lados, salvo casos muito especiais, em que deverá prevalecer o interesse coletivo, também salvo alguma exceção. Tanto na ampliação ruas, quanto na construção de estradas, ou se necessário derrubar toda uma área da cidade, ou deslocar toda a parte de um bairro (é disso que estamos falando, no Projeto Cidades do Futuro aplicado à reurbanização de uma cidade quase caótica e à beira do colapso, das dimensões de São Paulo), é possível incluir diversos fatores na negociação, quer dizer, diversos valores, e métodos muito mais apropriados de cumprimento de cronogramas, nessas operações. Há toda uma ordem de preparo, procedimentos e providências preliminares, necessárias à correta execução desses planos. É preciso que formas interdisciplinares de conhecimento estejam suficientemente difundidas pelas diversas comunidades, para que se compreendam as escalas de valores envolvidas, e possa haver a colaboração de todas as partes. Sem isso, a reurbanização de São Paulo seria inviável, enquanto que a correta coordenação de todo o projeto faria com que diminuíssem muito as cifras econômicas, fazendo com que as negociações de desapropriação apresentassem uma paridade muito grande dos valores nominais, associadas a uma grande valorização primeiro simbólica das novas situações, que aos poucos se transferirá para os valores nominais (o valor em moeda corrente ou em papéis negociáveis), nos dois lados da equação.


Projeto Cidades do Futuro 18

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