BLOG DE CIDADANIA - comentários sobre os principais blogs nacionais, pequenas análises e crônicas: Ciência, Cultura, Sociedade, Política, Economia, Religião e História. Divulgação Científica.


Citação de Bakhtin::

A VIDA COMEÇA QUANDO UMA FALA ENCONTRA A OUTRA

 

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

As propostas de Italo Calvino para o Futuro








As "máquinas de voar" de Leonardo da Vinci: helicóptero, asa delta e pára-quedas.

A LEVEZA


Uma das seis propostas de Calvino para o Terceiro Milênio é a qualidade da leveza, opondo-se diretamente ao peso das coisas, sem eliminar contudo a concretude e suas substâncias, mas buscando um mínimo de estrutura para um máximo de expressão. Para conseguir tal resultado, entretanto, Calvino cita Paul Valérie: “é preciso ser leve como um pássaro e não como uma pluma”. Uma pluma vive em suspensão, sem peso algum, mas é levada ao vento, não pode dar direção a sua trajetória e nem pode controlar o seu destino, ao contrário dos pássaros, cuja leveza está associada também à precisão e à visibilidade de seu vôo, sabendo dosar sua leveza com seu peso, alçando vôo ou pousando exatamente no lugar em que deseja, no momento em que julga uma coisa ou outra como sendo necessária.


Tal estado de desenvolvimento da vida só pode ser alcançado através do avanço do conhecimento, pelo aprofundamento no domínio das leis, chegando até os campos infinitesimais. Ser leve como o software gerenciando o hardware, como o chip substituindo os pesados andares dos prédios operacionais e administrativos. O conhecimento dando leveza também ao ser, eliminando os pesos da existência, o ódio, o ressentimento, o medo, a culpa, a cobiça, a inveja, a tristeza, trazendo uma era de maior tranqüilidade e de menor sofrimento. A superação da guerra pelo diálogo e da ignorância pelo saber. O domínio das palavras e das linguagens, da mente sobre o corpo, da imaginação e da poesia sobre a convencionalidade, da grandeza espiritual sobre a mesquinhez da matéria. Mesmo as situações mais trágicas sendo superadas pela “consciência dos ideais” e pelas “sínteses perfeitas”, como em Shakespeare: “ser ou não ser, eis a questão”. Calvino cita também o mito de Perseu vencendo a Medusa, a horrenda górgona que petrificava os adversários que a encarassem diretamente. Perseu a vence em batalha usando o artifício de um espelho, depois usa a cabeça decepada para petrificar adversários em outras lutas, até que o corpo do monstro vencido se transforma em um vale paradisíaco, onde habita Pégaso, o cavalo alado. Tinha sido domada a “a impiedosa energia que move a história do nosso século”. Na verdade, olhar através do espelho significou “olhar a si mesmo”. Perseu está evoluindo, aprendendo, descobrindo os segredos do mundo. Está deixando para trás o arcaico, o brutal e a infantilidade, deixa as sombras e busca sempre as trilhas iluminadas.


O traço mais forte na idéia da leveza seria a superação do universo unitário e monolítico, após a subtração de todo peso desnecessário, de toda inércia e imobilidade, deixando para traz o mundo petrificado pelo olhar implacável da Medusa. O ser passa a ser definido pelo DNA, pelos neurônios, os quarks e os neutrinos; a produção, pela nanotecnologia; a opressão, Milan Kundera é citado, passa a ser superada quando a delicadeza da vida consegue superar a brutalidade do mundo, “a insustentável leveza do ser”, sabendo equilibrar com maestria o mínimo de peso para o máximo de efeito: “Um mínimo de corpo que possa regular a gravitação de todos os símbolos, sem depender tanto da estabilidade corpórea para atingirem o equilíbrio. Aumentando a mobilidade e a flexibilidade do pensamento”.


A construção da leveza vem sendo feita através dos tempos. Calvino cita Isaac Newton, Cyranó de Bergerac, Jonathan Swift, Voltaire, Leopardi e o Barão de Münchausen. No final, chega-se à ruptura da linearidade, e a um universo dialético. Para o intelecto, o universo dialético é o rompimento dos padrões atuais do pensamento. Einstein propôs pela Teoria da Relatividade que duas essências tidas como radicalmente contrárias, o corpo e a luz, eram na verdade manifestações opostas da mesma substância. No Universo dialético, as unidades elementares perdem seu monolitismo, seu isolamento. A própria unidade, a própria exatidão, passam a ser sempre entidades multidimensionais, complexas, sendo a menor unidade realmente existente já uma combinação pelo menos binária. A realidade quântica é conquistada pelo homem. O resultado desse avanço progressivo do conhecimento é o ganho de consciência e de imaginação do ser, dando à razão humana a leveza e a precisão do vôo de um pássaro, transcendendo a maioria dos limites da fase anterior da existência.

A leveza como valor simbólico leva à alegria, à ética, à esperança, à persistência, à habilidade e à atitude construtiva diante dos desafios. Nas coisas do mundo, um cuidado maior com os espaços e com as comunidades, pela organização das várias dimensões do microcosmo. O individuo deixa de submergir no anonimato das massas e passa a ser capaz de integrar sua identidade à vida coletiva. Os sistemas urbanos são radicalmente aperfeiçoados. O Estado passa a ser um organismo atuante e realmente democrático. O mercado adquire maior flexibilidade e capacidade de adaptação às variadas circunstâncias ao longo do tempo. O tempo da arte, da criação, do estudo e da reflexão é valorizado. As trocas sociais intensificam-se, tornam-se mais complexas e o nível geral da civilização “levanta vôo” e alcança as alturas. Os processos de liderança alteram-se drasticamente e a vida humana chega a seus níveis mais elevados. A enorme desigualdade social dá lugar à diversidade social, as polícias deixam de usar armas letais, as ações preventivas da sociedade levam a uma enorme diminuição do crime e das rebeliões, cedendo espaço ao debate, às negociações mais sofisticadas e ao leque mais amplo de possibilidades. O homem reintegra-se à natureza.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

As Crises do Século 21: fim do consumismo e um novo Renascimento









AREAS DE REFERÊNCIA NESTA PÁGINA:

A Teoria Geral das Forças Produtivas

Projeto Cidades do Futuro

Consultar os artigos disponíveis

O futuro do mercado nos moldes atuais já preocupa os estrategistas no mundo todo. A conta mais simples e resumida é a de incluir 2 bilhões de pessoas no consumo, nas próximas décadas. O que ocorre? A conta não fecha. Os cálculos apontam que somente a China, consumindo em níveis dos países ocidentais desenvolvidos, esgotaria imediatamente os recursos naturais da Terra e de sustentação da sociedade humana: água, terra cultivável e alimentos, sem mencionar outros impactos nos recursos minerais, no ar, na produção de rejeitos, etc. Mas o caso é que a população irá aumentar em várias partes do mundo, e a inclusão no mercado se dá de modo disperso e global. Em outras palavras, o barco ficou muito pequeno para o número de pessoas que tentará embarcar nele. Esta é a preocupação primária, mas há também uma secundária. Qual será a reação dos novos excluídos, isto é, das comunidades e grupos que terão sua escalada nas condições de vida frustrada pela falta de recursos vitais? Sem dúvida, o fantasma das rebeliões e do extremismo retorna com força, nesse cenário, e ainda mais complicado, por causa da alta tecnologia e do eventual acesso a armas convencionais, sem desconsiderar as de destruição em massa. Para complicar, o meio ambiente está saturado e uma gigantesca crise econômica abalou os fundamentos de toda a produção global. O que já se percebeu, de maneira ainda preliminar, é que toda busca de alternativas viáveis leva o mundo para cenários que nunca existiram antes na história da civilização, isto é, o mundo como o conhecemos até agora não tem mais a capacidade de enfrentar os desafios que ele mesmo criou. Todas as saídas que se vislumbram apontam para um mundo totalmente novo.

Os modelos, os valores, as linguagens, as atividades, as instituições, enfim, tudo o que habita os nossos modos de vida, está virtualmente com o prazo de validade vencido na História. Quer dizer que se trata de uma mudança tão profunda quanto a das Grandes Navegações, nos séculos 15 e 16? ou ainda maior, tão significativa quanto a Revolução Industrial, nos séculos 19 e 20? Não exatamente. As mudanças agora serão muito maiores do que isso. Estamos às portas de uma revolução na Genética, na Robótica, na Economia e na Cultura, mas, sobretudo, estamos diante de uma gigantesca transformação das formas de vida humana, de sua relação social interna e dos modos de interação com o meio natural. Dentro desse cenário, a cultura consumista da segunda metade do século 20 não consegue mais agregar valor algum, não faz mais qualquer sentido para as organizações humanas, caiu para fora do reino das necessidades da vida. Já tive oportunidade de dizer, nos "comentários" que faço regularmente no Blog de Luís Nassif, debatendo os temas atuais, que essa grave crise global tem várias camadas, depois de começar como crise específica de um setor da economia americana, e essas camadas se multiplicam no processo de desdobramento, até chegar nesse fundo dos acontecimentos, justamente essas bases que discutimos agora. No fundo da crise, o núcleo central de todas as instabilidades é a falência de um sistema de vida, a que passamos a chamar de sistema ou comunidade internacional, é o fim de uma era, de um estágio da existência humana.

Então não haverá água, terra, ar e comida para todos? E essa escassez de recursos básicos em geral irá causar as novas guerras, além das tensões que já existem entre o Ocidente e o Oriente? Estaríamos realmente caminhando para um terrível conflito global, de que poucos sobreviveriam, se não forem todos extintos? Certamente não é isso que se espera de criaturas inteligentes e sensíveis, tampouco é o que preconizam os estrategistas. Estes são na verdade ensaios, simulações, estudos das prováveis conseqüências, se determinados procedimentos de regularização não forem adotados, e se outros procedimentos de agravamento das situações prosseguirem. Contudo, o que é que se desenhou nessas análises? Que a maior causa desse estado de coisas, isto é, dos modos de produção atingindo os seus limites, chegando às fronteiras da desorganização, da dissociação e da desagregação, é a orientação produtiva estruturada a partir do consumo de massas, e todo o seu conjunto de práticas e valores simbólicos, todo o seu instrumental e todo o sistema de visões de mundo que se tinha até aqui. O mundo do consumismo tornou-se impossível, a partir do século 21, e todo o complexo sistema de trocas da economia global terá de ser baseado agora em alternativas para as crises acumuladas que a sociedade industrial criou, especialmente depois do fim da Guerra Fria e da queda do Muro de Berlim.

Seria racional dizer, por exemplo, que a água e os alimentos irão escassear dramaticamente, a ponto de colocar as relações internacionais em grande risco? Note-se que esta é apenas uma ilustração entre outros pontos de conflito possíveis. Como poderia faltar água, se tem tanta água no mundo? E como poderia faltar comida, se há tanta terra na superfície terrestre? Mas aqui se confrontam as definições de água potável e de terras cultiváveis. O que é considerado "fonte possível" de água e de alimentos, segundo a visão industrial e de consumo, ou seja, segundo as planilhas de custo da sociedade industrial, segundo os recursos disponíveis no mundo industrial, nas relações de custo-benefício que vigeram nos últimos 200 anos, nos valores de mercado como eles se sustentaram até poucos meses atrás? Está envolvida aqui toda uma linha de custeio, investimento e insumos, aliados a condições de demandas e financiamentos, e que no final traçam esse resultado calculado racionalmente, da escassez, mas dentro do sistema produtivo que entrou em colapso, isto é essencial lembrar.

Não seria possível produzir mais água potável, criando novos sistemas hídricos? Da mesma forma, não seria possível ampliar a área de terras cultiváveis, mesmo sem avançar a fronteira agrícola sobre coberturas vegetais preservadas? Tecnicamente seria, mas , pelas regras atuais do mercado até agora, não seria, quer dizer, não haveria projeção econômica capaz de mobilizar os recursos necessários para alcançar esses objetivos. E por que não? Porque esse ambiente produtivo rompe com os valores e práticas atuais do mercado, quer dizer, ele precisa não somente de um projeto específico já muito trabalhoso e dispendioso, como precisa também que se concretizem mudanças culturais importantes. E que mudanças seriam essas? Justamente as mudanças dos valores atuais da cultura de consumo. Ou seja, passar a produzir água e alimentos em níveis muito superiores aos atuais rompe com todas as forças de estabilidade dos mercados mundiais. E é isto que ninguém - nenhum ator econômico - estava disposto a fazer, o que seria em tese um absurdo, o de trabalhar para destruir as formas do livre mercado. Mas vejam que toda essa equação se transforma com o passar do tempo, e o que parecia absurdo antes começa a fazer certo sentido, já que o próprio mercado não conseguiu mais se sustentar usando os instrumentos que detinha antes da crise global.

O mesmo raciocínio pode ser seguido para os alimentos. É possível corrigir solos, criar estufas, expandir a produção agropecuária para áreas que hoje seriam proibitivas. Tecnicamente isso é possível mas, politicamente, culturalmente e economicamente isso era impossível, até poucos meses atrás.

Faz cada vez mais sentido o discurso de Domenico De Masi, sobre a sociedade criativa, a sociedade que se forma para compreender a beleza da cultura, e que se dedica ao ócio criativo, basicamente, a formas de produção básica de novos valores, criando um caldo cultural de onde se poderá tirar a matéria-prima para a construção desse novo mundo. Talvez um outro pensador italiano tenha tomado a frente de seu tempo, e esteja inventando o futuro, como fizeram no primeiro Renascimento os também italianos Galileu Galilei, Leonardo Da Vinci e Cristóvão Colombo.

Atualização: O Quinteto de Ouro italiano se completa com Italo Calvino. Ao lado de De Masi ele foi um dos grandes pensadores da sociedade pós-industrial, isto se vê em Seis Propostas para o Próximo Milênio. Curioso que não tenha achado nenhuma foto mais "artística" ou colorida dele. Praticamente todas estão em branco e preto.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Declaração Universal dos Direitos Humanos



Este pequeno "blog de leitura" está fazendo 1 ano.
Para marcar a data, um dos tratados mais importantes
da civilização, desde que começou a história humana
neste planeta.

Uma homenagem à Familia e à Humanidade
FOTO DE MINHA FAMÍLIA

Artigo I.


Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II.

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo III.

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV.

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V.

Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI.

Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo VII.

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII.

Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX.

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X.

Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI.

1. Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.

2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII.

Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII.

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.

2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV.

1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV.

1. Todo homem tem direito a uma nacionalidade.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI.

1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.

2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo XVII.

1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII.

Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.

Artigo XIX.

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX.

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI.

1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.

2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.

3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII.

Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII.

1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.

3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.

4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV.

Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo XXV.

1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI.

1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII.

1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.

2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XXVIII.

Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIX.

1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.

2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX.

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre as eleições de 2008 - "Brasil and EUA"

O resultado das eleições municipais brasileiras poderá surpreender, apesar do intenso acompanhamento sistemático que tem marcado a ação política do séc. 21 no Brasil. Mas não surpreende de modo geral, apenas em alguns aspectos apontando as novas tendências de nossa sociedade para as próximas décadas, e aqui se faz um pequeno esboço desse perfil da nova política brasileira.


Seria possível separar as eleições municipais brasileiras da crise americana, e do embate entre Obama e McCain? Obviamente que não, entretanto, não é fácil encontrar os vetores de influência das eleições do Norte nas do Sul.

Aliás, o contexto não é bem o ano eleitoral dos EUA, mas um evento muito maior. Este é de fato o "final dos tempos", o fim do mundo como o conhecemos na sociedade industrial, mas é muito provável que a vida na Terra não acabe no séc.21, embora vá se transformar completamente. Estamos no momento de dar um pequeno salto sobre o abismo que se forma entre o passado e o futuro, mas não se pode demorar muito, pois as placas continentais se afastam, em meio aos terremotos.

Todos os projetos políticos brasileiros levavam em conta a plataforma cultural e política dos EUA. Não foram poucos os avisos de que essa base afundava, e agora, subitamente, o Brasil se vê num tipo diferente de crise, a de ter contado com um contexto de solidez americana que não havia mais. E isto se aplica justamente sobre as principais forças políticas brasileiras, de lado a lado.

Os EUA já se encaminham para a "reumanização" pós-neocons, enquanto o Brasil se preparava ardentemente para o "tudo pelo sistema", nos novos tempos de potência emergente.

Os esquemas nas cidades já seguiam essa cartilha de "jogos hegemônicos", da "prioridade estratégica", das "ações justificáveis", em nome do poder, embora duvidosas e nada democráticas. Na verdade, o antigo modelo de "seguir de perto" o "grande irmão do Norte", arrastou o Brasil para a beira de um novo obscurantismo político, de compromissos reduzidos e esquivos com as bases de partidos e representantes, criando um enorme estranhamento e distanciamento entre a política, os governos e a população, no que diz respeito à participação política. O momento que se desenhava era o da "construção do hegemônico", e nisso a cidadania ficaria para trás, e aqueles cidadãos comuns com visão crítica e mais destacados no debate político das cidades, estados e país, passaram a ser muito mal vistos, quando não passaram a ser constantemente interpelados pelas ações de poder. Era o Brasil dando um primeiro passo inédito e fantástico, na direção da projeção mundial, mas ensaiando um segundo passo novamente equivocado e falseado, que o conduzia a algum tipo de desastre político-cultural-econômico, daqui a algum tempo. Ou seja, a dinâmica política brasileira mais uma vez não se realizava de modo efetivo, totalmente sustentável, mas começava a ficar outra vez no meio do caminho, nesse "segundo passo à frente".

Agora não, a crise americana precipitou tudo, mas, EIS A QUESTÃO: nas eleições brasileiras esses pontos mal atados JÁ SE COSTURAVAM. A linearidade das estratégias insuficientemente orientadas já tinha plantado problemas e limitações para esses esquemas. E de que modo isso pode ser perceptível? Também não sei exatamente, mas noto algo que pode ser uma pista. Há, em vários municípios do interior e nas capitais, a EMERGÊNCIA DE UMA TERCEIRA FORÇA, que se desprende e se afasta do que estava antes "combinado". E esta seria a nova "força viva" da política brasileira, a nova força de representação. Coloco nessa categoria dois candidatos em São Paulo e em São Carlos, pleitos que acompanho mais atentamente. Apesar de serem "conservadores" e de "direita", de estarem inicialmente ligados a grandes forças e projetos políticos ou econômicos. Mas há algo inegavelmente novo na presença deles com grande força, não sei se vitoriosa. Quer dizer, o fato de ser de direita ou de esquerda já não importa muito, e ESTE É O OUTRO DADO NOVO E IMPORTANTE. Nem o de ter um rótulo de "conservador" ou "progressiSta". O que vale, cada vez mais, é o jogo, o campo, o que o ator político faz de fato em suas ações. E leva a melhor quem jogar melhor, tudo muito simples no fim das complicadas contas. ESTA PARECE SER A NOVA TENDÊNCIA. Em vez da "realpolitik", a efetiva disputa política, para saber quem consegue desenvolver mais e melhor as habilidades e talentos da sociedade e seus indivíduos. Há uma brisa renovadora no ar, ufa!

Vejamos que força teriam essas novas tendências, confrontando os projetos já estabelecidos e desenvolvidos, no próximo domingo.



Política Brasileira 5

domingo, 3 de agosto de 2008

A Guerra


Um apelo à Paz no Brasil e no mundo.



Será que essas pessoas sabem exatamente o que é a guerra? Será que já viram uma? Pensam, talvez, que se trata de um desastre, de um tiroteio, de um massacre, ou talvez de uma chacina. Que é uma luta dessas que se vê na cidade, uma batalha campal entre forças urbanas, polícia e estudantes, uma facção e outra, torcedores de um time ou de outro. Que se trata de um incêndio, de um trem desgovernado, da queda de um avião.

Essas pessoas nada sabem sobre a guerra.

Não sabem o que pode causar, o que pode fazer com a vida delas, das pessoas que conhecem, com sua cidade, sua região, seu país, com tudo o que compreendem do mundo, com tudo o que acham que é vida.

A guerra é muito mais.

Como alguém pode conceber a guerra? Seja em uma terra distante, seja em seu próprio país. Se imaginassem toda a violência do mundo, todo o ódio, toda a brutalidade, a guerra ainda seria muito pior. Se pensassem em todo o desprezo, em toda perda, em toda indigência, em todo ferimento, isto daria ainda uma idéia muito distante do caos, da fragilidade, da vitimização generalizada. Se todos os demônios da terra emergissem do inferno, de todos os infernos, de todos os tempos, e se todas as fogueiras queimassem sobre a terra, e os gritos se espalhassem pelo mundo, isto ainda diria muito pouco sobre ela. Seria apenas a ponta da escuridão, do sofrimento, do inacreditável abismo em que todos podem ser jogados, como se nunca tivessem existido, como se nunca tivessem valido nada, e como se nada tivesse tido um dia qualquer valor. Como se nada valesse a pena. Como se não tivesse nenhum significado.

Mas isso não é tudo, é apenas o começo.

Aqueles que mergulham na guerra são tomados por ela e passam a amá-la. A matança, a indiferença, a desgraça, a podridão do mundo de vísceras abertas, o mal-cheiro, a morte, os corpos despedaçados, o sangue e a destruição, vão amortecendo os mais bravos guerreiros, diluindo seus olhos, vitrificando-os, devorando toda a sua luz, sua alegria, sua compreensão. Os tiros, os gritos dos amigos e dos inimigos, dos velhos e das crianças, da gente comum, indefesa, e as explosões, as tocaias, as emboscadas, a nuvem de poeira e fumaça, o silêncio que se faz depois, toda demolição, passam a ser o alimento do ser.

Não é mais o tempo do existir, dos amigos, das famílias, do trabalho e dos dias que se vem e se vão. Não é mais o tempo dos humanos, das pessoas, nem dos animais. É o tempo da guerra, então não é mais o tempo de nada. E como não há mais nada, nem a ganhar nem a perder, os bravos guerreiros querem apenas que ela não acabe nunca mais. Os guerreiros, as vítimas, os refugiados, passam a temer o dia em que teriam de voltar para casa. A guerra agora é a única coisa que eles têm, e todos são apenas combustível para as batalhas. Por ser insuportável além de qualquer compreensão, a guerra passa a ser venerada e idolatrada, e todos se tornam seus servos.

O que pensar das pessoas que desejam a guerra? O que pensar daqueles que não hesitariam em transformar sua terra, sua gente, em pedaços de carnificina? Que não se deteriam diante da possibilidade de ver sua cultura ser estraçalhada sem piedade, toda sua sociedade tornar-se alvo para ser cruelmente executada, sem perdão? Que entregariam todo seu mundo, toda a vida que conhecem e que os criaram e cuidaram deles, à mais sórdida destruição?

O que pensar de pessoas que seriam capazes de destruir tudo, simplesmente tudo, em nome de algum privilégio, vantagem ou frivolidade? Para pensar que são melhores que os outros? Que têm mais direitos que os outros? Por se sentirem de alguma forma favorecidos? O que se passa na alma dessas pessoas? Em seu coração? Que tipos de pensamento estão se formando nas mentes dessas pessoas? O que os tornou assim? Que força terrível teria se apoderado delas? Como admitir tamanho horror? Como ser tão insensível? Que trauma intolerável teria cegado toda sua compaixão?

O Brasil já foi palco de muitas guerras, sem que tenha sido contudo tomado pela guerra, isso não, mas já tomou parte em guerras que se tornaram totais e rasgaram todos os tratados humanos. Essa guerra, essa guerra total, que destrói o país e tudo que há nele, que persegue as lembranças e os sonhos e corrói passado e futuro, essa guerra se trava dentro e fora de nós. É a guerra contra os outros somada à guerra contra o inimigo interior. Quando não se acredita em mais nada, nem se quer ver qualquer raio de luz, nem ver qualquer esperança brotar.

Esta é a guerra que nos assombra e nos espreita, na transição dos tempos, nas dobras da história, nos desvios do ser. O homem enlouquecido é aquele que se volta contra si mesmo e que não suporta mais qualquer construção. Para ele, todo alvorecer é uma doença, todo amor é um mal, e este como um fluido sinistro se espalha sorrateiramente, até que seja tarde demais. Se desejam a guerra, eles não sabem realmente o que é a guerra. Quanto mais a humanidade avança, maior o risco que corre, maior o poder, mais tensos ficam os jogos, mais virtuosa deve ser a cultura, para que possa sempre reencontrar e manter a paz, pois a guerra, a guerra começa do nada, costura inocentemente toda a insensatez, e depois se torna um turbilhão, que não se pode mais controlar. E depois de deflagrada, de libertados todos os demônios, os efeitos dessa guerra se farão sentir para sempre, e serão os espinhos das lembranças de toda a humanidade.


Pequenas Crônicas

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A renovação política do século 21: a representatividade

POPULAÇÃO EM FRENTE AO CONGRESSO NACIONAL, NA CAMPANHA DIRETAS-JÁ

Os institutos de pesquisa alcançaram um altíssimo grau de respeitabilidade e confiabilidade, nos últimos dez anos. Aperfeiçoaram seus métodos, e isto se associou a formas culturais mais bem integradas, sob os sistemas globalizados e eletrônicos. Da mesma forma, o conhecimento se dissemina na sociedade, e com isso os comportamentos tendem a ser mais sensíveis, diante de padrões oferecidos. Todos que gravitam nas “faixas de ajuste” do sistema produtivo atual, queiram ou não, tornam-se mais previsíveis e, portanto, mais susceptíveis a diversos estímulos, sugestões e influências. Esse grau mais adiantado de organização social reflete-se também na política, e com isso os jogos políticos passaram a ter margens mais estreitas, variações menores, opções que, se não são mais limitadas, tendem a ser mais bem delimitadas. O espaço para as surpresas diminui muito, a ponto de serem quase impossíveis.


No primeiro momento isto poderia parecer negativo para o equilíbrio social. Favoreceria de maneira indevida os grupos políticos mais próximos dos postos estratégicos da sociedade, criando uma onda conservadora vitoriosa no mundo, associada geralmente às doutrinas do financismo e do mercadismo, embora isto seja na verdade uma simplificação das coisas, pois se trata, efetivamente, da ação de grupos concretos, perfeitamente identificados, de composição conhecida, e não de largas faixas ideológicas mais abrangentes, como eram, por exemplo, os conceitos de direita, esquerda e suas derivações. E boa parte da política internacional de fato caminhou para esse quadro, contudo, até certo ponto. A partir de determinado grau de polarização política, porém, esses arranjos se diluem em parte, deixam de ser eficazes, isto também tem ocorrido em diversas regiões do planeta. O que parecia retrocesso está, em vez disso, tornando-se avanço, pois a população nesse intermédio tem aprendido a dar respostas mais certeiras, e deste modo as surpresas ficam mais difíceis de ambos os lados.


O caso é que a disseminação informativa na cultura pós-industrial, se de um lado facilita a modelagem das narrativas sobre o cotidiano, e nos casos mais rudimentares e grosseiros a manipulação mais desbragada, dialogando com um público mais receptivo aos seus argumentos, de outro lado esse mesmo jogo simbólico fez com que a população passasse a compreender melhor os compromissos da representação política, ou a falta deles. Dizer simplesmente que as gerações da política brasileira sucedem-se em classes cada vez mais despreparadas e distantes, pode estar correto ou não, conforme o caso, mas será sempre uma avaliação parcial desse fenômeno de um virtual descrédito do discurso político, na democracia brasileira. Paralelamente às astúcias e nuvens ideológicas, o que parece estar ocorrendo é que os eleitores desenvolveram a percepção dos vínculos reais que os ligam aos seus representantes na política. Ficou mais claro o fato de que a classe política deve se comprometer diretamente com seus eleitores, e esta é uma visão sistêmica aprendida pela coletividade, não é uma idéia passageira. Mais do que isso, o público brasileiro (já que boa parte da política se faz ou se conclui através da mídia) dá sinais de que está sabendo traduzir os laços de representação de forma cada vez mais objetiva, mas as classes dirigentes brasileiras não perceberam isto, ainda. Os institutos de pesquisa já constataram esta grande mudança, e há tempo dão mais importância às pesquisas qualitativas.


Há um caminho bastante trabalhoso para explicar por que isto tem acontecido, e o leque de explicações vai desde essa presença da informação sistemática no cotidiano até a experiência do governo Lula, como resultante das intensas mobilizações de organizações populares e instituições da sociedade civil. Mas a própria crueza do jogo, ao contrário do que se poderia esperar, também tem ajudado. Os “reis” parecem não se incomodar em ficar “nus”, e brincam com isso, alguns, e outros negam peremptoriamente o fato, procuram “disfarçar”, diante da cidadania perplexa, mas o discurso vale, e parece passar, só que com isso um fato não se altera: os reis estão nus, e com isso o povo aprende!


Tanto de um lado como de outro não há mais muitas máscaras, a não ser pelo formalismo do próprio jogo, quer dizer, faz parte da formação discursiva política essa postura de “embreagem”, de não se engrenar em todos os dentes dos mecanismos, mas ter uma “área de escape” estratégica, os próprios eleitores avaliam essa habilidade. Entretanto, o núcleo do jogo está exposto, na política brasileira, também de ambos os lados. Não é mais segredo para ninguém a questão do orçamento, do que se vai fazer com o dinheiro. Tudo, na visão política brasileira atual, diz respeito à gestão do dinheiro. Há outras alternativas, mas esta é a tônica atual. Por isso é que os programas partidários, as plataformas eleitorais acabaram sendo abrangidas por aquele mesmo conceito geral de “promessa”. Tudo virou “promessa de político”, a não ser o “din-din”. Este é o que interessa. Essa secura dos interesses políticos teve o efeito de alienar o debate durante alguns anos, e de contribuir para a confusão do discurso mais significativo, aparentemente. Mas, depois de um tempo, começou a querer emergir com força essa questão da representatividade, que pode ser traduzida pela expressão “linha direta” entre o político e o eleitor. Para isso contribui também o aumento da interatividade nas formas de comunicação social. A noção de que o representante “está lá” para defender os interesses mais objetivos do eleitor está ficando mais clara, e é por isso também que se projetou a crise da representatividade. Por si só, a classe política não está mais distante do eleitorado. Em certos aspectos, está até mais próxima, contudo, hoje há uma consciência maior de que os vínculos da cidadania com os eleitos para os mandatos populares precisam ser estreitados.


Quer dizer que todos os projetos políticos deverão ser orientados por esse novo contexto cultural, e esta tendência da representatividade deverá renovar todo o jogo político brasileiro, durante uns bons anos. Corresponde essa tendência central uma provável reeducação política generalizada em todo o país.


Política Brasileira 4


sexta-feira, 11 de abril de 2008

A terceira grande crise do início do século

primeira revisão em 12.04


Os primeiros estágios da nova crise mundial de alimentos não seriam preocupantes, se eles não representassem a continuidade de certo descaso e indiferença em relação a fatores básicos desses ciclos produtivos. Mas a fonte das crises atuais é tentar administrar o século 21 com o pensamento dos séculos 19 e 20.


O final da primeira década do século 21 está sendo marcado pela eclosão de três grandes crises na base da cultura industrial: a crise ambiental, a crise americana e a crise dos alimentos. São crises positivas, no sentido de que sua correta resolução poderá elevar os níveis civilizatórios e melhorar as condições de vida da população mundial. Mas, a complicação delas, por decisões equivocadas ou por esforços insuficientes, fará com que seja muito mais difícil a resolução, em relação às grandes crises do século passado, e isto já causa apreensão. Porém, os riscos são ainda maiores, pois crises na base das culturas podem ser o estopim de outras crises nos sistemas básicos de vida, fazendo com que uma alimente a outra. Isto não ocorre à toa. Será característica da sociedade avançada que pequenos desvios de condução possam levar a grandes catástrofes de toda ordem. Já foi dito aqui que administrar a sociedade tecnológica será como conduzir um veículo em altíssima velocidade. Não pode haver erros, nos sistemas altamente sofisticados e integrados.


A falta de alimentos, por exemplo. Se projetado um cenário de fome, seria devastador para a ordem mundial. Populações com instrumentação avançada, reunidas em dezenas ou centenas de milhões de habitantes, não podem passar fome. Não existe mais essa alternativa no mundo globalizado. Seria o caos total. Também não podem ficar sem trabalhar. A rapidez com que vastos contingentes desocupados se degradariam ou se desviariam para atividades primeiro informais, e depois ilegais, seria estonteante. Os recursos naturais também não podem ser mais explorados sem critérios e controles crescentes, pois os níveis produtivos e as tecnologias de exploração esgotariam diversos bens ambientais em poucos anos, poucas décadas, e comprometeriam outros, colocando a própria vida na Terra em risco.


Se a cultura atual fosse incapaz de encontrar saídas para os impasses criados, nessas primeiras crises de esgotamento do mundo industrial, e pode-se acrescentar que os modelos financeiros da era industrial também se aproximam de seus limites, deveríamos estar todos verdadeiramente aterrorizados. Provavelmente, seria como se os anjos do céu começassem a soar as trombetas, e não há exagero algum nessas palavras, ainda mais diante da relativa indiferença e insensibilidade sistêmica parcial que atravessou toda a Revolução Industrial, consideremos todos os 200 anos aproximadamente como sendo a revolução industrial. Mas, felizmente, existem os meios para superação dessas crises. Diversos instrumentos civilizatórios, mais o conhecimento em diversas áreas (multidisciplinar), e também infinitas combinações de conhecimento nas áreas de fronteira disciplinar (interdisciplinar), são recursos perfeitamente capazes de resolver esses problemas muito graves, produzidos todos eles, notem bem, todos eles causados pela própria atividade humana.


Entretanto, os homens ainda não se acostumaram a lidar muito bem com os valores em jogo, e têm dificuldade de migrar de uma escala de valores para outra. Nesse caminhar o ser humano ainda está engatinhando. Saber como abrir mão do estatus em que se encontram, em determinado momento, reconhecer as grandes modificações trazidas pelos tempos, e saber transitar de um período para outro, de uma era para outra, em escala individual, familiar, grupal, comunitária ou coletiva, é uma operação sempre dificultosa, conflitiva, doída, hesitante e relutante, descontado o fato dessas grandes mudanças serem deveras assustadoras, pois os componentes desconhecidos são muito maiores do que estamos preparados para compreender e aceitar com tranqüilidade. Mas, as transformações estão realmente acontecendo e as medidas precisam ser tomadas com firmeza, para que as conseqüências não sejam desastrosas e os quadros não fiquem dramáticos.


Estes são os obstáculos e desafios a serem vencidos. Para que a produção alimentícia aumente na proporção necessária, daqui em diante, as atitudes produtivas precisam mudar tudo, em todo o modo de produção, e não apenas na produção de alimentos. A adaptação às novas exigências ambientais demandará alterações culturais radicais. A renovação do ambiente produtivo é essencial à criação de postos de trabalho e de oportunidades negociais. Com isso, todos os sistemas estruturados estão em crise, e basicamente tudo precisa ser mudado. A encrenca é grande, porém, como já se afirmou, a cultura tem os recursos necessários para fazer frente a esses desafios, desde que corrija seus procedimentos de acordo com os novos quadros civilizatórios, desde que esteja disposta a superar os desafios do século 21.


O ciclo hidrológico. Não pode faltar água! Para isso, além de se criarem sistemas de reúso, não se pode mais desmatar, pois a falta da cobertura vegetal mais densa rompe o ciclo da água na superfície, fora o problema do aquecimento global, e demanda a captura de água no subsolo, fazendo com que esses recursos também escasseiem. E depois disso, o que poderá ser feito? Como aumentar a produção de alimentos? Quer dizer, sem cobertura vegetal densa convivendo com descampados segundo um equilíbrio bem desenhado, diminui a oferta geral de água doce no território considerado. No Brasil isso seria desastroso, pois a “abundância” de água doce em nosso país tem sido decorrência direta da integração de vastas bacias hidrográficas alimentadas pela água de superfície em áreas de grande umidade (Amazônia, basicamente). Se a Amazônia desaparecer, as outras bacias serão seriamente afetadas, por causa desse fenômeno da perda de umidade e da alteração do regime de chuvas. Então, uma discussão muito séria precisa ser feita, para estabelecer padrões de equilíbrio hidrológico, como se disse, sem contar ainda o problema do aquecimento, que está também associado aos fatores do ciclo hidrológico (absorção e liberação de carbono).


Não é difícil perceber que alguns princípios de equilíbrio foram desrespeitados, e que os critérios vigentes nas várias atividades precisam mudar, na direção de se regularizarem os recursos naturais básicos: o ar, a água e o solo. Além deles, o clima. Água e comida estão intimamente ligados, no que diz respeito aos recursos básicos de manutenção do sistema de vida do planeta, quer dizer, o problema climático envolve pelo menos três frentes principais: o ciclo hidrológico no continente, as mudanças climáticas globais e a preservação dos oceanos (fator climático das correntes marítimas, biodiversidade e produção de quase todo o oxigênio respirado).


Mas não está dissociada dessas mesmas conjunturas a crise americana, ameaçando afetar todo o mercado global. Resumindo, há um problema com a base comportamental da civilização, uma necessidade de reavaliar critérios de sustentação e viabilidade. Outra vez, equilíbrios, princípios e limites foram rompidos, e agora, para começo de conversa, quase 10 milhões de famílias americanas poderão perder suas casas, se medidas extremas não forem adotadas. Mesmo assim, não fica garantida a regularização, ou seja, práticas inadequadas abriram um rombo enorme no sistema produtivo americano, e este pode se alastrar no cenário internacional, pois pequenos “deslizes”, nos níveis civilizatórios extremamente sofisticados e formalizados do século 21, podem ter efeitos imprevisíveis, em todos os campos da vida humana.


Essas crises no alicerce da humanidade podem ser muito positivas, se houver progresso humano e avanços culturais, ou poderá ser o início de uma onda avassaladora, criando uma escalada incontrolável de crises, e aí pode ser que as trombetas comecem a realmente soar. Alguém duvida disso?


***


DESENVOLVIMENTO POSTERIOR


O artigo de José Paulo Kupfer, A Fome não é só Comida, publicado no Último Segundo, em 12.04, por ser anunciado pelo IG com o sentido de que o aumento na produção de alimentos não é a solução para a crise alimentar, merece alguns comentários. O artigo opinativo do jornalista não está centrado exatamente no sistema produtivo, mas em um aspecto particular, o dos preços relativos pela valorização dos preços das commodities, e a consequente especulação em torno dos estoques alimentares. Desenvolve sua tese de um lado querendo fazer baixar os preços dos alimentos e, de outro lado, facilitar o acesso das faixas menos favorecidas da população aos alimentos, através dos programas governamentais.



Não concordo com isso, mas também não discordo totalmente. É preciso sim começar a aumentar urgentemente o nível da produção alimentar, mas percebam que aqui se faz menção a todo o ciclo produtivo, e não apenas ao momento específico dos volumes de safra. Então, todo o escoamento e beneficiamento posterior está incluído, assim como a transformação dos produtos básicos em produtos diversos no mercado consumidor, sem esquecer os programas sociais do governo. A quantidade de trabalho total dispendida nesse setor precisa aumentar (o espectro de energia), e o modo imediato de fazer isso é o aumento linear (aritmético, como foi dito) da produção. Depois, o próprio processo irá cuidando dos fatores de produtividade, desenvolvimento e inovação tecnológica. Precisa haver mais terra plantada, safras maiores e um contingente maior de pessoas trabalhando nesse setor, pois as pressões alimentares apenas começaram a se fazer sentir. Elas vão aumentar muito mais! E lidar com a crise alimentar, como já foi dito, irá exigir esforços e correções em várias fases produtivas, na infraestrutura, na cultura produtiva e nos critérios produtivos.



Dizer que os volumes colhidos nas safras cobrirão matematicamente as necessidades calóricas da população mundial não é discutir a crise dos alimentos, mas analisar apenas alguns dos aspectos financeiros envolvidos, o preço relativo devido às inseguranças atuais do mercado, dando ênfase apenas aos jogos dos índices de valor. Mas isso é sintoma! A crise alimentar existe e está engatilhada no mercado global, envolvendo as próximas décadas e bilhões de pessoas. É preciso cuidar dos índices, realmente, mas não se pode esquecer dos produtos "em espécie".



Século 21 - 1


quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Teoria Geral das Forças Produtivas 16 - Sistemas Avançados de Planejamento

EM POUCO TEMPO, O DESEMPREGO SERÁ COISA DO PASSADO

Nas casas das famílias poderão estar instalados diversos terminais de serviços, de projetos, de aprendizagem e de comunicação, conectadas a uma infinidade de redes de produção ou de simples entretenimento e comunicação pessoal, modificando totalmente a disposição dos espaços sociais e as formas de interação ou circulação.


As Redes de Divisão do Trabalho: as RDT"s


A organização das atividades cotidianas dos cidadãos, na sociedade tecnológica, precisam seguir o espectro de energia (v. artigo anterior sobre o tema) , isto é, as formas potenciais de energia, a produção energética e seu dispêndio devem dispor de um sistema capaz de saber, simultaneamente, se um ferro elétrico está apresentando problemas, em uma cidadezinha no coração da Amazônia, se a quantidade de trabalho aplicado em gerenciamento municipal, em outra localidade no norte de Minas, é suficiente, ou se é preciso redirecionar as funções do quadro de pessoal da prefeitura, e se o perfil de prática de esportes em um terceiro município, no Oeste de Santa Catarina, pode ser mais bem aproveitado.


O acompanhamento de atividades diárias são formas de controle integrado, quando necessário, como no caso de rede de fornecimentos de energia, o trânsito na cidade, os níveis de desemprego e o tráfego de informações nas infoways, mas podem ser também sistemas informativos de orientação, a que os cidadãos têm acesso para traças suas estratégias familiares e pessoais. Será possível detectar com razoável antecedência, e com maior acuidade, quais serão as perspectivas e dificuldades de cada carreira profissional, e as condições de trabalho em cada localidade e região, acompanhadas de projeções para 5, 10 ou 15 anos. Os cursos à distância e as diversas formas de treinamento irão possibilitar que os cidadãos tenham formação em várias especialidades, de acordo com suas características e história pessoal. Isso já ocorre na sociedade atual, mas não é uma ocorrência comum. No futuro, será muito mais fácil que profissões diversas de nível médio ou superior sejam seqüenciadas ou acumuladas pela mesma pessoa. Em que medida e diante de quais limites, isto só o tempo poderá dizer. Considere-se, neste caso, que toda a vida escolar dos cidadãos, desde a tenra idade, será muito diferente da atual, e que a sociedade irá funcionar igualmente de maneiras muito diferentes, no que diz respeito à formação escolar, treinamento profissional e ao exercício profissional.


Nas estações centrais de informação estratégica, será possível acompanhar todo o espectro da divisão de trabalho, os quadros de oferta e procura de cada função, a análise qualitativa acompanhada das resultantes de qualidade de cada unidade produtiva, que pode ser desde o país inteiro, passando por regiões, estados, cidades, bairros, organizações, setores, empresas, casas, famílias ou cada um dos indivíduos, e várias fases e aspectos de um mesmo indivíduo. Suas notas em matemática no ensino médio contrastando com a brilhante solução de um problema na produção de determinada substância, em um laboratório onde trabalha. Os dados de um grupo econômico que começou como cooperativa de apanhadores de material reciclável nas ruas, mas que depois ampliou suas atividades e está se tornando uma nova potência econômica. Como casos isolados isso já acontece bastante, e em sistemas bastante sofisticados. Podem ser citadas as redes de trabalho na agroindústria brasileira, que estão ligadas à Embrapa, ao Banco do Brasil, ao programa de TV do Globo Rural, aos eventos e feiras agropecuárias, etc, formando uma cultura coesa e de grande produtividade. Outros setores também se destacam com a mesma excelência de organização produtiva. Mas é possível avançar mais, organizar mais, e fazer com que todo o sistema de trabalho tenha menos efeitos negativos, como acidentes de trabalho, desemprego ou falta de mão de obra especializada, conflitos trabalhistas, problemas administrativos, falhas ou insuficiência de formação e treinamento, baixa qualidade nos produtos e serviços, etc.


As redes de divisão do trabalho são redes complexas de informação, redes de conhecimento em nível gerencial, de investimento ou de usuários comuns em todos os pontos do sistema. O fato desse universo de informações ser produzido, organizado, estar circulando e estar disponível para acessos de natureza múltipla já criam um ambiente produtivo bem diferente do que existe hoje, com um grau enorme de comunicabilidade, à velocidade dos sistemas digitais, isto é, praticamente instantâneos. Desde que a pessoa seja reconhecida pelo sistema, tenha seu currículo avaliado constantemente, sua vida produtiva acompanhada, ela poderá estabelecer compromissos e contratos profissionais com empresas em qualquer parte do mundo, deslocar-se para lá ou trabalhar à distância, criar vínculos diferenciados, ainda que simultâneos, com tarefas profissionais totalmente distintas. Poderá projetar uma casa, consertar um aparelho eletrônico, fazer o arranjo de uma música, redigir um texto formal, examinar um processo e dar uma aula para uma classe virtual, e isto poderá dar a volta ao mundo, sem que o cidadão saia de sua casa. Poderá também, trabalhar de vigia noturno de um museu, dirigir um veículo de manutenção em uma fábrica, escrever um artigo para uma revista, editar um blog seu ou de outrem, etc. Poderá até assistir televisão.


Estudos dos dados colhidos produzirão diversas análises sobre diversos fatores produtivos, dando conta das condições de produção e da qualidade dessa produção em um sistema escolar, em um escritório, na produtividade de um determinado tribunal de Justiça, avaliando as causas, por exemplo, dos diferentes níveis de consumo de determinado remédio, em localidades diferentes, em faixas etárias ou em indivíduos de profissões diversas. Projetar e prever situações e oferecer esses dados aos mercados e à sociedade. Subsidiar cálculos diversos de produção e investimento. Dar informações retroalimentadoras, que aperfeiçoem as redes existentes ou criem novas redes de trabalho.


O sistema consolidado das RDT’s dará uma visão panorâmica de todo o quadro de atividades diárias da cidadania, sempre respondendo à questão geral básica, sem excluir pequenas variações: o que é que os cidadãos fazem pela manhã, depois de acordarem, e o que fazem durante todo o dia, até adormecerem novamente?


A meta é o sistema poder responder essa pergunta focalizando um número cada vez maior de cidadãos, um número maior dos dias corridos do ano, em detalhes cada vez mais minuciosos, seja por dados fornecidos pelos próprios usuários, por pesquisas formais de amostragem propostas aos cidadãos, por coleta eletrônica de dados, autorizadas por públicos selecionados ou sondados, por autorizações especiais de órgãos profissionais e governamentais, etc., sempre dentro da lei, rigorosamente dentro da lei, punindo severamente os abusos, ainda que com penas leves e comunitárias, de preferência, e multas com reincidência, para as empresas, além do enquadramento penal. Cumpre observar que somente a observância das leis permitirá que esse sistema realmente funcione, e produza benefícios para toda a sociedade, durante muitos anos. A resposta à questão anterior formará um conjunto extremamente objetivo das formas produtivas dessa sociedade, e criará noções de valor, relações internas de sistema, apreciações sobre o cotidiano produtivo e sobre a cultura geral que de outra forma não estariam disponíveis, com toda essa amplitude e possibilidades de aprofundamento.


Teoria Geral das Forças Produtivas 16



 RECADOS     

PARA OS AMIGOS, ANJOS DA GUARDA E LEITORES DO BLOG: 

21/10/08, 18:18 - AINDA PREPARANDO O CAPÍTULO 3 DE HISTÓRIA DA FALA

                        - RELENDO  Bakhtin, e as "NOVAS CONFERÊNCIAS INTRODUTÓRIAS", de Sigmund Freud

                        - PRIMEIRO ARTIGO DA SÉRIE SOBRE SEXUALIDADE FOI PUBLICADO !

                        - PREPARANDO 2º ARTIGO SOBRE SEXUALIDADE: 

A ESTÉTICA DA NOVA PORNOGRAFIA (texto não restritivo) - A questão estética da pornografia é uma "não-estética", uma anti-estética, mas há um projeto para isso, e uma função ideológica implícita, quer dizer, romper com a estética faz parte de um conjunto complexo de relações sociais.