Os posts "falta desconfiômetro", "a poderosa Dilma" e "quem avisa amigo é" passam a discutir abertamente as variáveis da sucessão presidencial.posts de 13.01
Dizer que Serra está em primeiro, nesta altura dos acontecimentos, é um pouco impreciso. Melhor seria considerar Serra como o postulante mais fortemente posicionado hoje, mas a indecisão ou confusão dos outros o favorece, neste momento. Lembrem-se da candidatura de Ciro Gomes, em 2002. Há diferenciais, contudo.
Dilma corre o risco de "saturar a mensagem", principalmente se seus estrategistas se mostrarem tão inábeis quanto as áreas de governo se mostraram nas articulações políticas. De sucessora preferida de Lula para "candidata chapa-branca" há uma tênue e frágil distinção, a ser administrada com mãos de maestro, artista e cirurgião. Não será uma tarefa fácil, e a construção de sua candidatura tem tido uma condução hora tímida demais, hora atabalhoada. Mas se isto é bom ou ruim, ainda é muito cedo para se dizer. Mas ficou o recado: todo cuidado é pouco.
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domingo, 13 de janeiro de 2008
A Sucessão ao Trono
Reinaldo Azevedo e o Governo
No post "Crises ameaçam imagem do governo" o blogueiro destaca a repetição inegável dos erros políticos do Governo Lula no relacionamento com o Congresso. Inegáveis e seguidos, contraponto dos grandes acertos nas políticas sociais.
Um desses erros tem sido o exagero do tom político em suas ações, como se apenas a política importasse, sobrepujando todas as outras áreas. Aqui há um encontro de águas com Alon, quando critica o abuso do fisiologismo, embora não sejam essas abordagens coincidentes. Tal procedimento e visão de Lula, de seus principais colaboradores e da atuação do PT como partido da situação, está patenteado em post próximo no mesmo blog, sobre o apoio à candidatura de Marta ao governo estadual. Passou apenas um ano dos atuais mandatos! Primeiro, é preciso construir uma plataforma confiável e consistente de idéias e feitos, para depois partir para a trincheira dos nomes.
A idéia de que os grandes problemas, os mais graves nas duas gestões de Lula, têm-se originado em articulações mal feitas dos próprios núcleos de governo está se cristalizando, e isso por si mesmo é um indicativo de crise. Tem havido de fato uma dificuldade permanente na concepção das articulações políticas do governo federal. Isto aliado à prioridade política de gestão cria um ponto fraco bastante visível para os adversários, ainda mais em períodos eleitorais decisivos e polarizados, como os próximos dois anos.
Do Blog do Azenha
Luiz Carlos Azenha também detecta um novo quadro americano, em dois artigos analisando as respostas do público americano ao casal Clinton e à Barack Obama.
Em "State of denial", Azenha sustenta que Hillary não é mudança suficiente para a atual saturação política que atingiu o país e aposta em Obama como candidatura de reais possibilidades. A indisposição dos eleitores para com o status quo reinante se estende e se deve igualmente ao comportamento da mídia, apontando nos políticos e na imprensa a mesma insensibilidade para com as "respostas". Esse vazio que se abre entre o público e as instituições gera a rejeição da opinião pública às linhas de acontecimento atuais. Nisso Azenha faz a aproximação entre a situação brasileira e a americana, já feita pelo Alan.
Na atividade jornalística ele faz uma descrição minuciosa dos processos internos que levam ao "state of denial", em essência argumentando ser a ausência do contraditário o principal fator de distanciamento entre a mídia e o público. Nisto sua argumentação acompanha a direção de Alon, quando fala de unilateralismo e multilateralismo e o desgaste do conservadorismo nos EUA e no Brasil.
No link de Opinião, de 07.01, o alvo do comentário é a polarização política e se resultado principal:
"Há indícios de que os independentes e até republicanos mais moderados estão dispostos a cruzar a linha partidária e participar das prévias democratas para dar apoio ao senador de Illinois. Alguns porque realmente querem ver a derrota de Hillary Clinton, a quem não suportam. Outros porque acreditam nas palavras de Obama. E os mais jovens porque decididamente acham que é preciso mudar tudo em Washington."
Além disso, Obama começa a firmar posições temáticas sobre os pontos nevrálgicos desse esgotamento do tradicional:
"Obama diz que Washington é refém dos lobistas de grandes corporações, que controlam o Congresso através de doações de campanha. Diz que a guerra no Iraque foi um erro, que desviou os Estados Unidos da tarefa fundamental, a de combater Osama bin Laden. Diz que vai fazer diplomacia com todos os países, inclusive com aqueles que o governo Bush colocou na lista de inimigos. Promete aumentos anuais do salário mínimo. Tem um projeto que permitiria a todos os americanos ter seguro de saúde - cerca de 40 milhões não tem cobertura hoje em dia."
Com isso, Azenha afirma que é Hillary e os republicanos que estão sem discurso, e não Obama, e diz que este é uma espécie de Lula americano. Não chegaria a tanto. As dinâmicas sociais e partidárias americanas apresentam diferenças enormes para as brasileiras, mas pontualmente se podem indicar semelhanças, sim. Além desse novo que parece necessário, lá e cá, outro fator cada vez mais atuante é o apelo jovem e a facilidade que Obama tem de compreender as novas formas culturais do século 21. Hillary e os republicanos até agora têm sido cidadãos do século 20, e uma coisa que não pára, na terra de Franklyn, Edison, Ford e Gates, é o tempo.
Interessante fazer a leitura do quadro americano entrelaçado com o que ocorre no Brasil, tecido dos dois posts comentados.
Destaques no Blog do Alon
revisado em 13.01, 12:44.
Não tive o prazer de conhecer o jornalista Alon Feuerwerker. Nem sou jornalista. Mas é bem provável que já tenhamos frequentado a mesma sala de aula, na ECA-USP, durante alguns dias, mais de 20 anos atrás. Logo mudei do curso matutino para o noturno. Lembro-me de alguém chamado Alon, fisionomia muito parecida com o Alon Feuerwerker, e que fazia algum sucesso na classe, por já trabalhar na Folha de São Paulo, naqueles anos, prestigiadíssima em todos os segmentos da sociedade brasileira. Ele continuou jornalista, eu continuei bancário, por mais 10 anos, e me formei em Letras. Pode não ser...
Mas esses são detalhes secundários. O que está em pauta hoje é o Blog do Alon. Li o post "De onde vêm os Obama", publicado em 11/01. O sucesso relativo e talvez momentâneo da "candidatura alternativa" à sucessão presidencial americana leva-nos a refletir um pouco mais, desta vez, devido ao perfil das conjunturas criadas pelos 2 mandatos de W. Bush. Nesse post há uma boa análise de fundo sobre a fadiga dos modelos hegemônicos, especificamente do modelo unilateral da única superpotência remanescente da Guerra Fria, a norte-americana. O contexto global parece estar caminhando para o multilateralismo. Em assim sendo, desestabiliza-se ainda mais o projeto neoconservador dos republicanos, de reforço à hegemonia unilateral dos EUA. Essa posição americana fica enfraquecida não só pelos inúmeros problemas e questionamentos que quase ilharam os americanos na comunidade internacional, mas também por causa dos custos enormes dessa aventura anacrônica de uma liderança exclusiva e inquestionável de um único país, sobre todos os outros. Isto é incompatível até mesmo com o esforço de globalização, liderado pelos americanos.
Depois, Alon traça certos paralelos entre os EUA e o Brasil, e apresenta uma argumentação crítica sobre a postura dos políticos atuais, que estariam entregues a um pragmatismo fisiológico sem grandes propósitos ou compromissos públicos e cívicos, para com seus representados, os vários segmentos da população. É mais um texto relevante entre outros, tentando discutir com a classe política novos caminhos, novas posturas, resgates de antigas relações politicamente mais consequentes. A visão proposta pela matéria é a de que esses comportamentos e posturas estão na origem das políticas públicas mal direcionadas, de gestões duvidosas e muito dispendiosas ao erário, e isto estaria produzindo um enorme desgaste de todo sistema.
Estamos falando de uma "crise da representação", a ser debatida nos EUA e também no Brasil, em ano eleitoral, de costura de alianças e compromissos que já se engatam diretamente à sucessão presidencial brasileira. Neste sentido, o que ocorre no Norte com o senador Barack Obama não estaria muito distante de ocorrer também em terras brasileiras. Contudo, acima de todos esses elementos, fica o convite para que todos os brasileiros façam um exame de nossos quadros políticos atuais, antes de tomarem o grande fôlego para 2008 e 2010. Os políticos não estão sozinhos no quadro político atual. A cidadania, a imprensa, o empresariado, a sociedade civil, devem abrir um diálogo permanente com os políticos, para a que os elos e canais de representação sejam fortalecidos, fortalecendo também a democracia, que não é mais nacional e sim global.
RECADOS
PARA OS AMIGOS, ANJOS DA GUARDA E LEITORES DO BLOG:
21/10/08, 18:18 - AINDA PREPARANDO O CAPÍTULO 3 DE HISTÓRIA DA FALA
- RELENDO Bakhtin, e as "NOVAS CONFERÊNCIAS INTRODUTÓRIAS", de Sigmund Freud
- PRIMEIRO ARTIGO DA SÉRIE SOBRE SEXUALIDADE FOI PUBLICADO !
- PREPARANDO 2º ARTIGO SOBRE SEXUALIDADE:
A ESTÉTICA DA NOVA PORNOGRAFIA (texto não restritivo) - A questão estética da pornografia é uma "não-estética", uma anti-estética, mas há um projeto para isso, e uma função ideológica implícita, quer dizer, romper com a estética faz parte de um conjunto complexo de relações sociais.
