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Citação de Bakhtin::

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sábado, 15 de março de 2008

Projeto Cidades do Futuro 18 – Um Futuro para São Paulo 4


FOTOS DO ANHANBAÚ, ATUAL, EM 1958 E EM 1915

HÁ COMO APROFUNDAR AS REFORMAS URBANAS E A REVITALIZAÇÃO DE SÃO PAULO?

Mesmo tendo a análise deste projeto indicado que a construção das cidades do futuro é mais adequada a novos territórios, “a partir do zero”, por haver um coeficiente bem menor de resistências e condições mais favoráveis à instalação do novo, isto não quer dizer que estas propostas não sejam indicadas às cidades existentes, sobretudo às áreas urbanas mais problemáticas, como nas metrópoles brasileiras. São Paulo é tomada como plano-piloto, mas seus princípios poderiam ser discutidos em outra grande cidade, nestes termos: novas formas de redução de impactos ambientais, de utilização dos recursos naturais e de construção e estruturação urbana, formando paisagens urbanas a partir das novas relações de trabalho e produção cultural, nas sociedades de alta tecnologia.

Recapitulando as propostas para a reurbanização de São Paulo, estão inclusas, em ordem sistêmica, 3 grandes obras de infraestrutura:


  1. Repensar a cidade começa pela água. ir refazendo todo o sistema hídrico da cidade, ao longo dos anos e das décadas, introduzindo-se o reuso da água e a formação de redes independentes para águas de vários usos, ver o artigo Cidades de Água, como referência básica. A essa obra estão associados uma rede hídrica específica para o saneamento, a filtragem de dejetos, resíduos e rejeitos, um sistema completo de tratamento de lixo, a desobstrução das áreas marginais dos grandes rios paulistanos (sua conversão em parques e áreas de preservação), a despoluição gradativa e completa dos rios, a instituição de uma nova cultura hídrica na cidade e a mudança dos códigos de construção civil, nos pontos de adequação ao plano, alterando-se também outras normas de habitação e convívio, de acordo com as novas estruturas e sistemas. Abrange esta linha de ação também o estudo das condições hidrológicas, incluídas as taxas de cobertura vegetal, os índices de absorção de água-impermeabilização do solo urbano, os cálculos das galerias pluviais, etc.;

  1. instalar sistemas em expansão e alternativos de energia. A essa obra estão associadas novas formas de instalação das redes, e de acesso a elas, além de novas regras de distribuição de energia, pois, em poucas décadas é possível que milhares de domicílios e indústrias sejam superavitárias, na produção energética. Deve-se estudar cuidadosamente o desenvolvimento da economia do hidrogênio, para que se leve em conta o máximo de fatores possíveis dessa produção futura, já na instalação atual dos sistemas energéticos.

  1. Refazer e reintegrar totalmente os sistemas de circulação da cidade, Criar novas artérias urbanas de múltiplas vias, próprias à utilização em paralelo de vários tipos de veículo, ou facilitando as formas de passeio através de travessias cobertas, iluminadas, começando este item pela instalação de novos projetos urbanos em áreas relativamente desocupadas, como formas de descentralização dos postos de trabalho, criando 2 ou 3 grandes áreas de concentração administrativa e comercial nos extremos da cidade, alterando a geografia do trabalho e desafogando os bairros centrais e o centro da cidade. Ao mesmo tempo, redesenhando as áreas centrais e reconstruindo a cidade, a partir desses dois pólos, o novo periférico e central. A esse novo sistema viário estão associadas formas de ampliação do transporte de massa e o desenvolvimento de novos veículos, de novas formas de circulação, sem esquecer que as necessidades serão alteradas pelo redimensionamento das rotas de trabalho, estudo, lazer e outras atividades. A esta obra também se associa a ampliação do sistema de anéis viários e o distanciamento maior ou desvio das áreas de entreposto, trânsito, carga e outros serviços, em relação ao perímetro metropolitano. Integram-se a esses sistemas ainda o sistema de “infovias”, os cabos e estações dos sistemas de informação.

À primeira vista este projeto pode parecer custoso, mas à medida que examinam as possibilidades de sua realização, percebe-se que, além de reunir medidas necessárias de gestão urbana no futuro imediato, ele não seria mais custoso que o prosseguimento das gestões feitas até agora, pois boa parte das ações propostas baseiam-se em puro redirecionamento administrativo, e acabam corrigindo as curvas de gastos públicos, pela implantação de sistemas bem mais avançados. Depois, o planejamento integrado e estratégico tende a baixar enormemente os custos básicos das estruturas urbanas. Além disso, o desenvolvimento tecnológico acelerado também deve fazer com que muitas tarefas sejam simplificadas, executadas com maior eficácia, e se tornem também menos dispendiosas, no decorrer dos anos. E as relações custo-benefício também são muito favoráveis a essas propostas de reurbanização, pois, depois de instalados, a efetividade desses sistemas será enorme, sem comparação com os sistemas anteriores, considerando-se ainda as possibilidades de interação, potencialização, expansão e evolução contínua desses projetos baseados em conhecimento avançado.


Desde já, grandes projetos precisam ter como referência um planejamento urbano para a São Paulo 50 anos à frente, sem pular as etapas de todas as fases necessárias para se atingir essas metas, tendo-se já uma imagem mínima de como deverá ser a cidade em cada um desses estágios, a partir de um marco como, por exemplo, 2015 ou 2020. Ao cálculo de impactos ambientais deve-se acrescentar novos índices de “cálculo de impactos urbanos”, para que se avalie de modo sistemático o nível de saturação de demandas e ofertas urbanas, nos vários pontos da cidade. Isto evitaria que torres muito altas e grandes conjuntos de prédios fossem construídos em áreas já saturadas de demandas urbanas, e esses projetos poderiam ser convertidos em vários projetos menores de reurbanização, ou deslocados para outra região (as novas áreas propostas), e poderiam aguardar ainda que a área pretendida passasse a comportar as novas instalações.


A "CURA" DO ORGANISMO METROPOLITANTO


São Paulo é constituída por interespaços dispersos e desorganizados, por um baixo índice de integração, na divisão das várias funções urbanas (habitação, comércio, indústria, administração pública, escola, lazer, esportes, a especialidade dos serviços, setores administrativos, etc.). Isto não quer dizer que não haja redes extensas, complexas e interligadas, mas que o grau de concentração é grande demais, e os afluxos de qualquer natureza tornam-se muito confusos: sistemas de infraestrutura, pessoas, veículos, sistema viário e redes de transporte, separação e equilíbrio entre os vários campos de atividade, etc. As microrregiões urbanas precisam ser mais bem definidas, é preciso haver a modulação mais clara na proximidade de atividades afins (as “vocações” de cada rua, esquina, bairro, etc.), e elas precisam ser divididas de forma mais consciente (evitando falar “controladas”).


AS DESAPROPRIAÇÕES


Seria impossível executar um projeto deste porte fora de uma sociedade tecnológica e de cultura avançada, pois há vários pressupostos de compreensão produtiva, como as condições de negociação dos valores ou as perspectivas que se abrem diante de cada tema ou questão.


A população só abriria mão de seus valores se estivesse preparada para compreender a troca de valores simbólicos mais amplos que o valor nominal dos títulos. Mesmo assim, qualquer proposta do Estado à população de setores ou bairros a serem reurbanizados, redesenhados e reconstruídos, precisa obrigatoriamente apresentar aos cidadãos valores maiores que aqueles que as famílias detêm em determinado momento. Só mudariam de casa se soubessem reconhecer a perspectiva contratual em curto ou médio prazo de passarem a morar em casas melhores que as atuais, em vizinhanças afetivamente próximas do ambiente anterior, tendo diante de si um conjunto de opções de vida mais atrativas que as de então. O mesmo princípio vale para as empresas e demais instituições. Contudo, somente a dinâmica de gestões avançadas é capaz de cumprir planos para se tornar hábil a fazer essas ofertas. Mas, ao se habilitar a fazer tais negociações, o Estado tem diante de si a perspectiva de realizar operações infinitamente mais tranqüilas e menos custosas, de desapropriação de áreas. Que se consultem os registros dos intermináveis conflitos, processos e problemas criados pelas desapropriações, no passado. Nos novos projetos públicos, urbanos ou não, desde que a gestão se faça pelo conhecimento, seria possível negociar em bases sempre muito vantajosas para os todos os lados, salvo casos muito especiais, em que deverá prevalecer o interesse coletivo, também salvo alguma exceção. Tanto na ampliação ruas, quanto na construção de estradas, ou se necessário derrubar toda uma área da cidade, ou deslocar toda a parte de um bairro (é disso que estamos falando, no Projeto Cidades do Futuro aplicado à reurbanização de uma cidade quase caótica e à beira do colapso, das dimensões de São Paulo), é possível incluir diversos fatores na negociação, quer dizer, diversos valores, e métodos muito mais apropriados de cumprimento de cronogramas, nessas operações. Há toda uma ordem de preparo, procedimentos e providências preliminares, necessárias à correta execução desses planos. É preciso que formas interdisciplinares de conhecimento estejam suficientemente difundidas pelas diversas comunidades, para que se compreendam as escalas de valores envolvidas, e possa haver a colaboração de todas as partes. Sem isso, a reurbanização de São Paulo seria inviável, enquanto que a correta coordenação de todo o projeto faria com que diminuíssem muito as cifras econômicas, fazendo com que as negociações de desapropriação apresentassem uma paridade muito grande dos valores nominais, associadas a uma grande valorização primeiro simbólica das novas situações, que aos poucos se transferirá para os valores nominais (o valor em moeda corrente ou em papéis negociáveis), nos dois lados da equação.


Projeto Cidades do Futuro 18

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Teoria Geral das Forças Produtivas 13 – Os procedimentos de confrontação de guerra e paz

FOTOS DA FINAL CONTURBADA DO BASQUETE, ENTRE URSS E OS ESTADOS UNIDOS, E DO ATENTADO TERRORISTA

Os Jogos Olímpicos de Munique em 1972 foram o auge da “contaminação” do espírito esportivo pelos confrontos bélicos e ideológicos da Guerra Fria e do Oriente Médio. A esportividade, quando não “ocupada” pelo belicismo ou pelo mercantilismo exagerado, é uma das formas mais desafiantes e sadias dos humanos encontrarem ou superarem os seus próprios limites, e os dos outros, respeitando-se os limites e regras de convivência pacífica.


Na era do conhecimento, que instala seus mecanismos iniciais nestes anos presentes, a confrontação será um dispositivo constante, necessário e fundamental, ao contrário do que se pensa, mas confrontação, neste caso, é o oposto da agressividade e da violência, sem prescindir da combatividade.


Pêcheux chamava de interpelação, isto é, checar cobrando pelo discurso a posição de um outro sujeito, individual ou coletivo. Bakhtin usava o termo confrontação para distinguir o processo discursivo, ou seja, a interpelação compreenderá uma dinâmica de negociação, um reconhecimento das posições e valores do outro, acompanhados de aceitação ou de rejeição, ou ainda de distanciamento, quer dizer, a interpelação levará à confrontação, mas este é justamente o cerne das linguagens e da interação social, quando os sujeitos se encontram no diálogo, na produção dos sentidos, das medidas e das posições relativas e recíprocas entre todos.


Mas os procedimentos de confrontação, isto é, a interação social organizada, dentro de comunidades, através de sistemas lingüísticos, pelo discurso em suas várias formas comunicativas-informativas (multimeios, memórias, microdiálogo, diálogos interiores...) vivem situações muito diferentes dos séculos anteriores, portanto seus protocolos e procedimentos devem-se alterar profundamente.


Por que havia tantas guerras? Porque o desconhecimento entre todos era muito grande. Não só o conhecimento subjetivo que cada indivíduo tinha de si mesmo, mas também as formas de conhecimento coletivo dos grupos e comunidades, das instituições e do meio exterior, de outras comunidades. Então era mais difícil compreender as posições de outrem, e sendo assim, mais difícil negociar e usar a diplomacia. Isto fazia com que as resoluções de força fossem quase permanentes, redundando em guerras sem fim, o que acabou criando uma “cultura de guerra”, e isto enraizou ainda mais a disposição para a luta, para a “confrontação”, como modo de determinar as trajetórias individuais, coletivas e no campo exterior das comunidades. Os confrontos armados ou instrumentalizados por formas agressivas predominaram. Não se tinha uma boa visão dos fatos, a visibilidade dos outros pontos de vista era bem limitada, e sempre ofuscada pelos interesses antagônicos e pelas paixões. Era muito difícil conceber alianças e parcerias que não fossem contra terceiros. Todas as angústias e afirmações existenciais acabavam sendo canalizadas pelos esforços de guerra, e pelo heroísmo de guerra. A paz apresentava poucos desafios aos espíritos mais inquietos, e estes mal sabiam como direcionar a energia de confrontação que brotava neles e queria ardentemente extravasar para o espaço vital e adjacências.


Essas grandes tensões todas se deram em territórios de obscuridade, um desconhecimento resultante justamente das faltas de confrontação “não armadas”. A falta de integração e de conhecimento sobre os outros lados de uma questão, sobre os outros interesses envolvidos, sobre as formas de resolução que poderiam ser encaminhadas. Não havia tantos encurtamentos tecnológicos e culturais das distâncias. O outro era de fato alguém distante, um estranho, um estrangeiro, mas esse ambiente global mudou radicalmente, então as relações sociais, interpessoais e internacionais não podem mais ser como eram, pois o mundo mudou muito, e as pessoas também. Hoje se vê, por exemplo, nas relações entre a Rússia e os EUA, ou entre os EUA e a Venezuela, entre os EUA e o Brasil, entre a Rússia e a Europa, que a integração econômica funciona como enorme bloqueio a qualquer escalada de violência entre eles. No século 20, muitas das disputas internacionais que ocorrem hoje evoluiriam para formas agressivas e não raro armadas, e sendo armadas, sem grandes dificuldades se espalhariam por toda a região e se tornariam generalizadas, mas há fatores impedindo que isso ocorra, apesar dos interesses serem muito mais fortes e organizados. Entre essas barricadas “pela paz” estão as formas de proximidade cultural e de informação globalizada, o estreitamento econômico entre os países, o conhecimento mútuo bem maior que se tem e, portanto, a maior visibilidade e compreensão esfriando os ânimos e facilitando o desenvolvimento da diplomacia e dos acordos comerciais.


As soluções pela força bruta tendem a ser vistas de forma crescente como manifestações de desequilíbrio e despreparo, como formas de “desconhecimento”. Os fatores que justificavam essas atitudes, os contextos que produziam essas “desinteligências” estão sendo erradicados dos ambientes culturais e produtivos. Não se justifica e não se explica mais, de forma racional, qualquer escalada de violência, a não ser é claro pelas parcelas de desconhecimento que ainda atuam, de maneira cada vez mais minoritária e isolada. O mesmo princípio se aplica ao espaço interno das sociedades e ao interior dos grupos sociais. Comportamentos mais mediados e moderados nas situações de confrontação deverão ascender a novas formas de liderança e de normas de convívio social. O desrespeito a tais procedimentos denotará de forma progressiva a ocorrência de um distúrbio ou sintoma, se esfera coletiva ou individual. As ações violentas serão objeto mais de estudos, treinamento e desautorização que de qualquer estímulo ou prestígio. Os procedimentos ainda marcados pela interpelação agressiva ou violenta passarão a ser classificados como formas anacrônicas e resistentes, como delírio de indivíduos ou grupos, sem lugar no mundo civilizado, como deficiência das habilidades. É isso o que se cobrou de governos recentes que adotaram receitas de provocação e de emprego da violência, mas também de grupos insurgentes que fazem uso da violência em todo o mundo. Em ambos os casos há muito mais risco, desgaste e retrocesso que avanços. Essa cultura agressiva é contraproducente e não combativa (não resolve, mas complica), e essa percepção já se infiltra também nos grupos sociais e no campo interpessoal. Confrontação é confrontação do conhecimento, do preparo e do diálogo, é atitude produtiva, ou seja, confrontação dialógica.


Na cultura do século 21 há muito mais oportunidades e jogos em andamento, há inúmeras frentes, não há um único ponto em disputa, uma única chance, o “tudo ou nada”. Se é preciso transigir ou conceder em uma questão, há como recuperar e superar o revés em seguida, no prosseguimento regular dos jogos. Quando se perde um negócio, a possibilidade de se apresentarem novas janelas negociais é imensa. Quando se disputa um valor, as condições de negociação nunca devem ser dramáticas, mas sim tranqüilas. São essas novas atitudes que mais avançarão no terreno produtivo do século 21, na política, no comércio ou em qualquer outra área de atividade.


A paz, como vimos, não traz mais a imagem de tédio, de tranqüilidade excessiva, de imobilismo e inércia, mas de confrontações sadias e constantes.


Teoria Geral das Forças Produtivas 13


sábado, 8 de março de 2008

Cidades do Futuro 17 – Um futuro para São Paulo 3

ILUSTRAÇÃO DA PÁGINA DA USP

A velocidade das dinâmicas urbanas da metrópole ultrapassa de longe o ritmo do planejamento urbano e negocial da “Paulicéia”. A Faria Lima deveria ser a avenida do futuro, seu projeto mal começou, mas a região já está toda saturada, e a situação irá piorar, se novos direcionamentos não se associarem a essas iniciativas.



Planos Emergenciais para São Paulo


Enquanto a reurbanização de toda a cidade não se organiza como projeto global, será preciso adotar medidas contingenciais em São Paulo, para que a cidade não colapse sob tantos problemas. Isto será necessário também porque a reurbanização levará vários anos, várias décadas.


Uma solução será o Anel Viário (conceito mais amplo que o Rodoanel), mas já há um problema com esse projeto, porque ele demorou muito para começar e está demorando muito para se expandir. As necessidades de tráfego de São Paulo estão crescendo bem mais rápido que as soluções. O Anel Viário provavelmente precisará ser ampliado antes de estar concluído, mas esta é a base das contingências possíveis. É preciso mudar urgentemente a geografia do trabalho na cidade, e isto implica infelizmente em abrir novos espaços na região metropolitana, em áreas ainda desocupadas, como se a cidade recomeçasse ali. Não é a mesma solução dos condomínios, por exemplo, pois estes ainda têm enorme dependência do centro da cidade. Essas novas áreas precisam ser abertas segundo o que se propôs no blog nos primeiros artigos sobre projetos urbanos. É preciso construir primeiro sistemas avançados de filtragem de impactos, e múltiplas vias de acesso, a pé, de bicicleta, de asa delta, de trem, teleférico, de ônibus simples, duplo, de um andar, dois andares, de skate, de carro solar, carrinhos de golfe, vale tudo, até de carro e de moto, em vias múltiplas, chegando de vários lados. Depois de instalados os sistemas hídricos propostos, formas alternativas de produção de energia (solar, eólica, térmica a álcool, etc, o importante não é só a contribuição atual, mas a instalação de alternativas em expansão) e sistemas diversos de filtragem de impactos ambientais (que níveis poluidores seriam aceitos para os veículos autorizados a circular nessa área, por exemplo), é que começariam a ser construídos os conjuntos comerciais e de escritórios, segundo códigos de construção cuidadosamente dimensionados e previstos. Um projeto desses poderia começar rapidamente, desde que cumprido integralmente e explicados os seus princípios aos ambientalistas. Nasceria uma Nova São Paulo, de dentro dessa aguda crise urbana.


Tais áreas precisariam ser construídas em dois ou três extremos da cidade, de acordo com as condições de acesso popular provenientes das áreas hoje mais estranguladas pelo sistema viário, de modo que as condições de transporte e de acesso ao trabalho melhorassem radicalmente. Está se propondo a migração dos postos de trabalho para essas novas áreas comerciais, nestes termos, sem demora. Há capital para isso, há terreno suficiente, há tecnologia urbana para sustentar um projeto dessa monta, as necessidades já são sufocantes, e as possibilidades de se criar tais projetos deve ser bastante atraente para os grandes capitais paulistanos, nacionais e internacionais (tome-se como referência o recente negócio imobiliário efetuado na Avenida Brig. Faria Lima,, de R$ 500 milhões).


O que não pode mais ocorrer é esse descontrole completo das estruturas urbanas, e a falta total de comportamento lógico no desenvolvimento da cidade, que evolui para o caos, em vez de evoluir para a organização. Seria um absurdo total, por exemplo, construir torres altíssimas ou grandes conjuntos de prédios em áreas que não comportam mais demandas urbanas, nas condições atuais. É preciso ter um pouco mais de ousadia, determinação e visão, mas isto a cidade tem de sobra, em potencial. Está faltando apenas usá-las na direção necessária, articulando suas gigantescas habilidades, quase sem igual no mundo.


Mas, simultaneamente à abertura dessas novas frentes urbanas, não se poderia abandonar as áreas mais antigas, como se fez durante tanto tempo com o centro velho de SP. Será preciso reurbanizar continuamente os planos mais antigos de São Paulo, reconstruindo a cidade a partir desses dois pólos, no mesmo projeto. O novo aeroporto e os transportes de massa são apenas a ponta de imensas geleiras, que podem ser diluídas pelo conhecimento e pelo planejamento adequado a essas questões.


revisão em 09.03.08

Projeto Cidades do Futuro 17



sexta-feira, 7 de março de 2008

A orientação essencial

Este é um slide de 35 anos atrás, escaneado sem grandes recursos. Estou na porta da Casa Branca, em Washington, com uma comitiva de estudantes do mundo inteiro, aos 15 anos. Nessa idade, já dava mini-palestras sobre o Brasil em salas de aula e respondia perguntas de estudantes americanos e de outros também estrangeiros, no programa de intercâmbio.


O Conselho do País

Quem teve oportunidade de acompanhar minha participação no Blog do Nassif durante o ano passado, deve ter lido algumas crônicas que publiquei no “Trivial”, sobre a espiritualidade e sobre Chico Xavier, ou textos redigidos sob a influência das forças espirituais. Também a presença de Jesus e das orações no “blog” é parte deste aspecto de minha formação.


Não posso dizer que sou médium, sempre fui racional e intelectualizado demais, minha disciplina preferida na escola era de longe a Matemática, e mesmo assim meu caminho se faz pela religião e pelas Ciências Humanas, apesar de repetidos esforços, infrutíferos e titânicos, para ser alguém “normal” e seguir as Exatas, como qualquer vocação. Demorei anos para compreender a influência espiritual em nossas vidas. Posso dizer que sou sensitivo. Não sou capaz de incorporar o espírito de outras pessoas, como fazem os médiuns, pelo que sei, mas sou capaz de incorporar suas palavras.


O Brasil passa por uma fase de enorme turbulência, em que suas forças se agitam quase desgovernadas, por terem de se desligar de elos passados, e ainda não estarem sensíveis, preparadas ou dispostas a estabelecer vínculos renovados com o país. Nossa nação está com febre alta, à beira do delírio, nas camadas mais profundas da nacionalidade, embora não seja visível na superfície. Vemos apenas alguma confusão e distanciamento entre os quadros políticos e a cidadania. Isto é sabido.


No Conselho Espiritual do país estão as figuras mais ilustres de nossa história, de todas as cores ideológicas e de todas as camadas sociais, pessoas célebres ou anônimos, de grande influência espiritual. Lembro Juscelino, Golberry, Tancredo, Ulysses, mas também Drummond, Guimarães e outros, que se citados criariam conflito em nosso plano de realidade, mas que estão em harmonia, por seu amor ao Brasil.


Os estudos que faço atualmente são relevantes para o debate de nosso país, por isso podem incomodar setores que ainda não perceberam que sou o amigo, não o adversário, já que as mudanças são necessárias. Esta é uma grande encruzilhada dos tempos. Então o “Conselho” me diz para buscar a proteção moral de algumas autoridades, através das quais eles – os nossos guias nacionais – podem influenciar medidas de moderação, para que superemos este período delicado, em que, de outro lado, o Brasil tem grandes chances de se tornar um dos países de liderança no mundo, isto é, cumprir seu destino, em vez de se afundar em mazelas e conflitos intermináveis.


O prefeito de minha cidade, São Carlos, o governador de meu Estado, São Paulo, o presidente de meu país, Brasil, estas são as pessoas que devem cuidar de mim, para que possa desenvolver meu trabalho. Mais do que isso, não são apenas as pessoas, mas as funções, quer dizer, os que já ocuparam esses cargos em qualquer tempo, os que ainda irão irão ocupá-los. Quer dizer, este compromisso é para a vida inteira, pois o agora também é a eternidade. Mas estes laços não são para benefícios apenas individuais ou particulares. Todas as famílias brasileiras dependem dos bons resultados deste esforço, de um grande portal dos tempos que se pode abrir para nós.


Quem acompanhou este trabalho desde o início, cerca de 5 anos atrás, sabe das dificuldades que tenho tido para realizá-lo, e também do apoio que tenho tido, das fontes mais diversas e, muitas vezes, inesperadas. Agora estão chamados a contribuir para a realização tranquila deste trabalho os senhores e senhoras, prefeitos, governadores e presidentes citados, em todos os tempos.


Aqui está um fiel servidor, o trabalho vocês já conhecem, e eu apenas sigo a orientaçào que me é dada, nada mais, nada menos. Precisamos juntos levar a democracia brasileira para além deste terreno de incerteza.


Crônicas Espirituais 1



quinta-feira, 6 de março de 2008

A Teoria Geral das Forças Produtivas 12 – Os níveis crescentes de instrução do mercado

Uma dona de casa americana reclama em seu blog do estresse que é sair hoje para fazer compras, mesmo que seja em um shopping. Fala das vantagens de comprar pela Internet. Ao mesmo tempo, o gigantesco West Edmonton Mall, no Canadá, foi construído com um enorme parque de diversões e um imenso parque aquático cobertos, dentro do shopping (indoors). As demandas culturais no comércio estão evoluindo muito, e rapidamente.


A produção de riquezas ocorre naturalmente, se ninguém atrapalhar, este é o princípio universal da Economia, desde Riqueza das Nações, de Adam Smith. Esta é a idéia do mercado desde muito antes de haver Escócia ou Europa (a cultura, não o continente, óbvio). Seria mesmo absurdo que qualquer conjunto de normas tentasse controlar o universo das trocas humanas, e esta é mesmo uma das primeiras idéias de liberdade, se retornarmos ao início das culturas. Alguém controlando as trocas equivale a decidir por você, sua família, seus amigos, seus “clientes”, que palavras pode usar, que espaços pode ocupar, que pensamentos pode ter, que valores pode cultivar, que sonhos pode ter, que mercadorias pode produzir. São todas as liberdades, desde as individuais até as econômicas, as políticas, as econômicas, as de pensamento, frutos do mesmo ramo. Quando se tenta conter a produção, esta definha ou fica estagnada, e depois entra em colapso. A produção só pode ir adiante, e precisa avançar o tempo todo, sem parar. É uma das “grandes máquinas” do universo e ocorre também na natureza.


Então a intervenção no mercado é um ato arbitrário e excepcional, talvez necessário em momentos de grande crise ou de grande impacto, e não pode ser um hábito, muito menos uma lei. O Estado controlando o mercado seria um desastre completo, é apenas uma questão de mais ou menos tempo. Mas isso não quer dizer que o mercado não tenha as suas regras internas, as suas instruções, os seus códigos fundamentais.


Quando a companhia de luz vende energia a 110 ou 220 volts, isto faz parte de uma padronização necessária para essas relações de troca. Quando se estabelecem os códigos de consumidor, essas também são medidas necessárias para o funcionamento interno do mercado, não estão fora de seus mecanismos. São as condições de mercado. As taxas de câmbio regulam as dinâmicas internas de uma economia nacional em relação a outra, incorporando um grande conjunto de variáveis, e que torna possível o comércio exterior entre os países. As peças publicitárias precisam respeitar limiares argumentativos, negociais e éticos que podem promover ou danificar a imagem de uma mercadoria, mesmo que nenhum limite formal figure na legislação. As práticas abusivas geram conflitos internos de mercado que atrasam as relações comerciais entre todos os participantes dos ciclos produtivos, e este é um fato natural decorrente das trocas humanas, não há como inventar ou evitar isso. Se recuperarmos toda a história econômica das sociedades, cada um dos períodos produtivos traduzem determinadas formas de relação comercial, mas a liberdade de troca fica sempre intacta, este é um princípio universal.


Contudo, se é impróprio e impossível deter as forças naturais do mercado, não é incompatível com as trocas mercantis, e mesmo as culturais e do simbolismo humano, que elas sejam permeáveis às formas de sua cultura, de sua época, ao estágio produtivo dos vários agentes econômicos, à produção de toda espécie de riqueza humana. O mercado não está sozinho, mas inserido na fronteira das comunidades, das empresas, das instituições, de outros grupos e das relações individuais. Ele estabelece objetos, sujeitos, relações, associações, movimentos, produções, ciclos, transformações em uma rede produtiva geral de toda atividade social. Na verdade, o mercado também estrutura e constituí esse universo econômico, tanto quanto é produzido pela atividade econômica, quer dizer, o ato mercantil nunca é um monólogo, nunca é unilateral, a não ser em seus distúrbios ou desvios. A construção de sentidos e valores é muito semelhante à linguagem, pois as trocas comerciais são em essência uma forma de linguagem, em que objetos de troca determinados são negociados segundo a apreciação que se faz deles, através de um complexo sistema de preços. Os grupos humanos tiveram formas prévias de comércio, que foram as várias formas de troca simbólica e ritual, antes que se acumulassem os grandes excedentes de produção. Portanto, é natural que no ambiente produtivo as condições e linguagens de mercado sejam alteradas nas diversas épocas e fases econômicas, mesmo que os mecanismos de troca permaneçam livres.


É importante ter isso em mente, pois as direções da concentração de capital tendem a mudar nas próximas décadas e séculos. Por exemplo, já aproveitando a idéia de simulação do artigo anterior, a mesma corporação pode apresentar dois resultados hipotéticos: em um deles, tem um lucro operacional de US$ 1 bilhão; no outro, seu lucro cai para US$ 500 milhões. O mercado em termos atuais avaliaria uma enorme perda de 50% na operação desse grupo, um montante enorme de dinheiro, mas essa avaliação está prestes a mudar, desde que já tenham ocorrido as profundas mudanças em curso no sistema produtivo, explica-se: Os mesmos US$ 500 milhões podem significar mais riqueza, uma amplitude bem maior de trocas, que o dobro de seu valor no seu respectivo ambiente produtivo, desde que toda a economia tenha avançado. Seria a mesma coisa que se ter uma nota de US$ 100 ou uma de US$ 50, em lugares diferentes. Em determinado lugar, mesmo tendo acumulado um índice de US$ 100, não há em que usar, em que investir, o que consumir, portanto o valor acumulado não representa tanto quanto alguém ter US$ 50, mas ter acesso próximo a direto a uma infinidade de opções, do que pode fazer com esses recursos. Esta é a noção associada ao conceito de riqueza civilizatória. Não adianta ficar milionário sozinho e no vácuo, acumular capitais imensos em resultados operacionais, sem o devido processo de circulação de riquezas, sem que os “ciclos virtuosos” sejam acionados. As duas culturas geradas nessas hipóteses simuladas seriam diametralmente diferentes, e provavelmente a primeira delas, que otimizou apenas os índices de lucratividade, sem cuidar do ambiente produtivo, seria um resultado não sustentável e não efetivo, sem a pujança e o dinamismo da segunda (nos padrões vigentes a partir do século 21). Antes, quer dizer, durante séculos, esses processos de acumulação podiam ocorrer durante décadas, antes que diversos conflitos começassem a surgir na produção, mas, no futuro, esse problemas de equacionamento e de diretrizes, ou de concepção, serão rapidamente identificados, e os valores de todo o empreendimento serão depreciados, ou será uma produção isolada nos limites de uma cultura fechada, não de mercado aberto.


No futuro próximo, as trocas comerciais irão incorporar níveis sócio-culturais bem mais altos, e níveis de formalidade e de códigos bem maiores, sem que isso interfira na liberdade de iniciativa ou de troca. É o oposto, essas formas de instrução do mercado é que possibilitam as trocas. Assim foi com toda a padronização mercantil, desde o surgimento das moedas até os sistemas plug & play dos computadores pessoais. Além disso, o mercado será “interpelado” com freqüência, e as relações comerciais serão “interativas”, isto é, o poder atuante dos consumidores será bem maior, tanto na formulação dos cálculos de compra quanto na composição de seus impulsos de compra, estabelecendo uma via recíproca incomum à cultura de consumo aprimorada e estabelecida durante o século 20. Não quer dizer que as vendas serão mais difíceis, nem que elas cairão, mas que as relações comerciais terão culturas avançadas, elas serão mais instruídas.


Teoria Geral das Forças Produtivas 12



A Teoria Geral das Forças Produtivas 11 – Os espectros de energia e a simulação civilizatória

FOTOS ORIGINAIS DA MISSÃO APOLLO 13 - NASA

" Houston, we have a problem "

Essa é a terceira frase mais famosa da História Espacial, depois da de Yuri Gagarin, "A Terra é azul", e de Neil Armstrong, "Este é um pequeno passo para o homem, mas um passo gigantesco para a humanidade".

O comandante da Apollo 13, Jim Lovell, anunciava, sem saber ainda, que tinha explodido um tanque de oxigênio no Módulo de Serviço da Apollo 13, transformando a missão lunar em uma história dramática, em que cada movimento de mão, cada respiração dos astronautas precisou ser calculado e monitorado, para que pudessem voltar vivos à Terra. Várias equipes de cientistas da Nasa tiveram de operar o retorno da nave a cada momento, junto com os astronautas a bordo, e um quarto astronauta ficou dentro de uma cápsula idêntica, em terra, simulando as soluções que eram propostas.


A simulação civilizatória pela análise dos espectros de energia


Novas informações sistêmicas sobre a aplicação de modelos produtivos surgirão nos próximos anos, e deverão acompanhar a automatização e a informatização crescente nas culturas. Uma das formas administrativas a serem colocadas em uso serão os softwares de simulação dos contextos produtivos. Será possível efetuar cálculos bastante complexos dos efeitos de determinadas ações, decisões e políticas, nas esferas públicas e privadas em todos os níveis. Será possível acompanhar detalhadamente o quadro de atividades sociais e as diversas conjunturas, saber com bastante antecedência que medidas tomar em diversas situações, e isto pode ser aplicado aos vários aspectos da geografia humana e da divisão do trabalho, assim como subsidiar decisões importantes na gestão dos governos, das empresas, das famílias, dos indivíduos e das várias instituições existentes. Saber em que área investir, quais profissões estarão com falta ou excesso de quadros preparados, quais são as tendências do mercado em todos os setores, que medidas gerenciais são mais adequadas, etc., levando-se em conta uma quantidade de dados muito maior do que nas análises similares atuais, pois estes novos sistemas serão bem mais compreensivos e sensíveis, aproveitando praticamente todas séries qualitativas de informações da realidade objetiva ou na simulação.


A TGFP teve como proposição inicial a sistematização discursiva nos modelos produtivos, estudando os aspectos da circulação dialógica na produção e a composição dialógica dos objetos de produção. Agora damos um segundo passo, que já foi brevemente referido, quando se disse que desde as atividades mais triviais do dia-a-dia dos cidadãos, desde o espaço mais interno da privacidade de cada um e já no espaço doméstico, todos os elementos dessas ambientes passariam a ter relevância produtiva direta e imediata, partindo já dos diálogos cotidianos, e é esse o tema central deste artigo, que está vinculado aos simuladores do parágrafo anterior: o espectro de energia do ambiente produtivo.


Antes de formular uma proposta em que a vida dos cidadãos seja totalmente controlada, e eles se tornem “cobaias” de sistemas eletrônicos de vigilância coletiva, ou surja algum sistema totalitário entorpecedor dos sentidos humanos, e para que se contorne também qualquer idéia apressada sobre o excesso de manipulação ou a invasão dos espaços da vida privada, fronteiras que precisam ser sem dúvida demarcadas pelo jogo democrático, pela lei, criando novas salvaguardas constitucionais, o que se está dizendo é que será inevitável o avanço do estudo sistemático sobre todo o quadro de atividades dos cidadãos, no decorrer de um dia, semana, mês, ano ou outro período escolhido. Estamos aqui apenas propondo as formas desse estudo, inclusive para que sejam facilitados os métodos legais de controle dessa atividade, que em parte já acontece, nos estudos do gerenciamento de produtos, nos institutos de pesquisa, nas análises estatísticas de vários aspectos técnicos e comportamentais de um ciclo produtivo. O que se propõe aqui é que todo esse estudo seja consolidado também sob a perspectiva da pesquisa das formas de dispêndio geral de energia na sociedade.


Se alguém toma um banho, há o “gasto” de vários recursos: a água, o sabonete, a energia elétrica, a energia corporal, eventualmente a luz acesa e qualquer outro fator que interfira nesse processo. Este é o fator individual, que pode ser projetado para uma cidade como São Paulo. Em São Paulo podem-se estimar pelo menos 10 milhões de banhos por dia, apenas para ilustrar o caso. Dez milhões de banhos excercem certa influência no ambiente produtivo. Se é lícito intervir ou educar o ato de tomar banho de alguém, isto é outro assunto, o que se diz é que esse fator produtivo pode ser estudado e projetado em simulações civilizatórias, e isto passará a ser feito com o avanço cultural. Ficou mais claro? Não estão em jogo apenas os fatores “exteriores” da comunidade, como o gasto de água e energia, mas está em jogo também a tabela de resultantes produtivas desses 10 milhões de banhos. O tempo total deles, o impacto que tiveram na vida dessas pessoas, os efeitos produtivos, os gastos havidos, o índice de utilização dos recursos naturais “água tratada para banhos” e “energia para aquecimento da água”. Além disso, há variantes, formas de aquecimento, banheiros públicos, vestiários, tipos de chuveiro, duchas, saunas, banheiras, etc., e todas essas informaçòes passarão a ser conhecidas e serão projetadas em novos simuladores, para testar, por exemplo, “impactos das mudanças de hábitos de banho”, na cidade de São Paulo.


Seguindo essa rota, é perceptível que a mesma coisa poderia ser feita com os hábitos de “café da manhã” da população, e com as “formas de deslocamento para o trabalho”, cruzando esse dado com “pessoas que trabalham em casa”. E se formariam quadros do tempo que levam nesse deslocamento, o número de pessoas por faixas de tempo e os fatores envolvidos nesse deslocamento. Da mesma forma, se constrói o quadro da “domesticação” do trabalho, para que vários quadros comparativos e tendências sejam traçadas entre essas duas situações. E saber se os cidadãos vão a pé, ou quais veículos são usados, cruzando esses dados com as condições de trânsito e a rede viária da cidade, fazendo projeções das necessidades para novos investimentos na área de tranportes, por exemplo. Mas também analisando o espectro de dispêndio de energia que será formado depois, nos “totais gerais” dessa comunidade, para que se constituam novos indicadores de sustentabilidade, efetividade e produtividade, também “por exemplo”. Outros quadros comparativos ou constitutivos podem ser montados entre os campos de atividade, analisando-se as relações e interações das atividades profissionais, familiares e as de outra natureza, como o lazer, o repouso, o estudo, etc. A diferença para os modelos atuais é que os dados contam para várias faces de observação, já que as áreas são interdisciplinares, e depois deve haver uma confrontação de valores entre essas várias faces, para se dar a essa simulação (projeção ou cálculo) níveis bastante aceitáveis de desvio e de correções necessárias na aplicação real. Assim, se muito tempo está sendo gasto em lazer, em determinada faixa etária de certo grupo social, que pode ser reunido pelos critérios mais diversos, esse “tempo” pode ser um fator positivo ou negativo sob determinada perspectiva, insuficiente ou excessivo, e ainda pode apresentar um contexto de relações culturais adequadas ou não, e tudo isso precisa (pode) ser analisado. E no fim pode ser aumentado, diminuído ou reprogramado para outras áreas e modos de lazer, quer dizer, pode ser demonstrado e proposto para a população.


No final haverá uma noção razoável dos vários aspectos de dispêndio de energia de uma cultura, sem esquecer que os modos “tradicionais” de consumo de recursos naturais não estão excluídos, como as áreas agricultáveis, os recursos minerais (energia potencial) e as várias redes de serviço coletivo instaladas. Para se ter uma idéia do nível de generalização ou de especialização a que essas simulações podem chegar, todos devem se lembrar da “aventura” dos astronautas da Apollo 13, quando as equipes da Nasa em terra testavam todas as formas de simulação de gasto de energia possíveis, para garantir o oxigênio suficiente para o retorno da nave, mais a filtragem do dióxido de carbono da respiração dos próprios astronautas, a energia suficiente apenas para ligar de modo precário os sistemas da nave, o computador de bordo e os motores, e apenas em poucos momentos decisivos, refazendo todos os cálculos, até conseguirem trazer a nave de volta, com os tripulantes a salvo. É mais ou menos isso, observadas as diferenças e semelhanças de hipotéticas situações.


O que evitaria a TGFP de ser apenas uma forma tecnológica "neo-taylorista" é a contribuição do diálogo, a interdisciplinaridade e a aplicação dos sistemas de gestão pelo conhecimento, o que dá a este referencial teórico dimensões "em rede" muito mais complexas que a linearidade da produção, e além disso dá voz ativa e colaborativa aos vários agentes produtivos. Aliás, somente nesse ambiente produtivo os simuladores teriam eficácia e seriam efetivos na organização de culturas avançadíssimas de produção.


Teoria Geral das Forças Produtivas 11

terça-feira, 4 de março de 2008

Propostas para a Escola do Presente

O robô Domo, criado pelo MIT, capaz de interagir com os humanos e se adaptar aos ambientes.

Dez notas educacionais


Escola do Futuro? Não, o que importa é a educação no presente, para uma escola "de" futuro, mas, antes de haver um projeto mais amplo, é preciso formular algumas propostas. Aí vão...

1 – A linguagem de programação de computadores deve ser incluída como disciplina básica da escola brasileira, assim como todo o funcionamento da Informática. As relações telemáticas e cibernéticas devem ser introduzidas em todos os níveis educacionais.

2 – A educação deve-se organizar em torno de projetos estudantis, de realização de projetos e trabalhos nos vários níveis da escola, que envolvam o trabalho em equipe e a orientação dos professores.

3 – A escola de uma cidade deve ser vista como “uma só”, e assim poderá aumentar o número de disciplinas oferecidas em todas as unidades locais, dividindo-se as disciplinas centrais pela rede do município, em básicas e avançadas, como Matemática básica e avançada, Ciências em conjunto ou separação da Biologia, Física e Química, Estudos Sociais ou divisão em Geografia e História, mais a criação de novas disciplinas técnicas ou de especialização em Música, Multimídia, Artes Plásticas, Artes Industriais, Artes Comerciais, e assim por diante, sem necessariamente separar os cursos e escolas em “científicas” ou “técnicas”. O aluno comporá sua grade de acordo com seu desenvolvimento escolar, sempre orientado por pedagogos, psicólogos e pela família, em centros vocacionais locais da escola, e percorrerá as escolas em que se localizam as disciplinas e atividades escolhidas, em projetos, aulas, laboratórios e outras áreas.

4 – O transporte entre as escolas deve ser regular, interno e circular, próprio, distinto, inconfundível na cor dos veículos, monitorados e controlados pelas autoridades de ensino locais, sem excluir a opção de transporte específicamente destinado a casos especiais ou imprevistos.

5 – Alunos que se interessem ou que precisem podem ser incluídos em programas aprendizes, desde cedo, segundo a avaliação psicopedagógica, dos conselhos municipais e das famílias.

6 – As competições esportivas precisam ser formalizadas, tornar-se eventos bem estruturados e regulares. Da mesma forma, os eventos artísticos, as feiras de iniciação científica, as olimpíadas e eventos especiais, criando-se desde os níveis locais até os estaduais, nacionais e internacionais.

7 - Devem-se estabelecer programas de intercâmbio entre cidades e estados, e equipes formadas por redes virtuais de trabalho escolar, projetos, publicações e exposições que acompanhem esses programas.

8 – A orientação vocacional e o acompanhamento escolar deve ser personalizado e constante, para levar o estudante até o final do ciclo escolar, isto é, deve ir além do Ensino Médio. O Ensino Superior precisa ser universalizado e ampliado com os cursos de 3 a 5 anos, acadêmicos ou tecnológicos, segundo as condições e opções de cada aluno.

9 – Isto é questão de organização, planejamento, prática e determinação, e a grande maioria dessas medidas não implica em investimentos financeiros muito maiores que os de hoje, mas em aplicar melhor os recursos e na reformulação “pra valer” do ensino, mudando-se as visões que se tem hoje da escola, tanto da parte da sociedade, do governo e dos alunos, quanto da parte dos educadores.

10 – Todos os profissionais da educação precisam desenvolver esse projetos em suas unidades, gradativamente, em programas sistemáticos. As áreas administrativas precisam “retornar” para a escola e centralizar lá suas atividades. Essa é a melhor “reciclagem”.


Projeto Escolar 2



segunda-feira, 3 de março de 2008

A Teoria Geral das Forças Produtivas 10 – A dinâmica social da subjetividade no século 21

Imagem ao vivo de Nova York, esquina da 46th. com a Broadway, poucos instantes antes desta postagem (a propósito, não é o Presidente Lula, apesar da semelhança extraordinária)


Os grupos humanos que se formam a partir de agora devem estabelecer escalas de valores (o arquétipo das culturas) diferenciadas das que foram produzidas até agora, e que percorreram o tal “movimento pendular” ou espiral da História. Como já foi tratado, a interdisciplinaridade e a sistematização da fala trouxeram como resultado uma habilidade de resgate histórico muito maior, de cronotopia (o “continuum” se desdobrando) ampla, colocando todo o tempo-espaço na balança do hoje.


Tão importante quanto a descoberta das forças inconscientes por Freud foi a “descoberta da consciência” por Bakhtin. Eram conhecidas as formas do consciente, mas não sua essência. O psiquismo humano tem como substância formadora o material semiótico (os processos de significação) e ideológico (as escalas de valores), e estes são ligados por redes de elos indissolúveis, como se fossem as faces de um mesmo prisma, desde que esse prisma seja “plasmado”, quer dizer, não cristalino. Sua forma é adaptável às situações como a água se ajusta a qualquer recipiente, multiplicando suas faces dentro de cada tema e situação. A expressão natural do material semiótico-ideológico é a palavra, e pressupõe esta a formação da linguagem, dos sistemas lingüísticos e o processo discursivo (o discurso). Inseparável da formação da consciência é a constituição do tecido social através da interação verbal dos sujeitos, e isto também foi proposto por Bakhtin: o diálogo ocorre entre sujeitos organizados em comunidade e mediados por um sistema lingüístico comum, e é nessa “situação enunciativa” que são tecidas as redes culturais e todos os níveis históricos. Tudo deve ser “ressignificado”, ou seja, na existência humana tudo deve ser “banhado em palavras” e deixa de existir por si só. Só é perceptível à consciência se apreciado pelas palavras, e estas são sempre parte integrante dos “grandes diálogos”, isto é, os ambientes discursivos sociais, a imanência dos diálogos da coletividade, de onde “brotam” as consciências individuais. Estas já nascem, desde a gestação, desde a relação dos pais, desde muito antes, no domínio social, na cultura organizada, nascem dentro do diálogo, das palavras, do discurso. Quer dizer que os pés, as mãos, os olhos de uma pessoa, ou qualquer outra parte de seu corpo, mesmo sendo um recém-nascido, um feto, já não são mais objetos “em si”, mas sim seres dialógicos, definidos, determinados, constituídos e apoiados em linguagens. Este é o mundo da consciência humana.


Essas dinâmicas “fundadoras” da sociedade estão se transformando bastante nesta época que vivemos. As ações tomadas dentro da sociedade pelos indivíduos, grupos e comunidades, pelas instituições sociais só adquirem sentido depois de estabelecidas essas referências de valores, que organizam os movimentos sociais, suas relações e processos. É a formação desse contexto básico que irá permitir o posicionamento dos sujeitos, dando sentido aos jogos sociais e direção a todas as atividades. A formação de grupos diversos, instáveis e voláteis, opacos em certos pontos, claros em outros, delimitados em alguns aspectos, indefinidos em outros, dá-se por costura de alianças entre esses indivíduos (lembrar sempre que na dialogia o “indivíduo” é sempre campo social, polarizado apenas em seu extremo, que é a identidade de cada pessoa, sua habilidade para escolher e decidir, quer dizer, o determinante, síntese ou resultante de sua própria consciência e individualidade, feitas de substância discursiva), pela “filiação” e “inscrição” em diversos caminhos e instâncias do que está “acontecendo”, tanto no discurso geral quanto nos diálogos “interiores” e no “microdiálogo”. O microdiálogo foi proposto por Bakhtin e é o nível quântico da linguagem, isto é, a mecânica semiótica e lingüística de cada palavra, como se cada uma delas fosse o centro de uma rede de diálogos (debates, confrontações), para estabelecer o valor e a significação de cada uma das palavras que usamos em nossas vidas. Para saber, por exemplo, qual a significação e o valor da palavra “capital”, ou “trabalho”, ou “informação”, ou “opinião”, seria preciso perceber as nuances de suas “reflexões” e “refrações”, principalmente esta ultima, que é o desvio semiótico-ideológico sofrido pela circulação de todo o discurso em sociedade. Em cada situação, em cada momento, dependendo dos pontos de vista variados de cada sujeito, sob uma série de perspectivas sendo construídas, essas palavras adquirem cores, tons, alcances e efeitos distintos e opostos. A “briga” já começa na própria palavra e no próprio sujeito.


No século 21, esses jogos da cultura irão dispor sujeitos diferentes, em novos sistemas de valores, em novas percepções e objetivos, quer dizer, a posição de cada sujeito será redefinida pelas novas referências culturais. As características individuais a serem prestigiadas serão outras, e isto irá refazer todo o mapeamento da divisão de trabalho na sociedade. As qualidades mais valorizadas, as prioridades, os desempenhos mais apreciados e conseqüentemente as resultantes do trabalho de cada um seguirão formas específicas que se desenvolverão nesta era pós-industrial. A organização das pessoas dentro dos grupos, e dos grupos em formação será reorientada de acordo com as profundas mudanças culturais das próximas décadas. Os reflexos disso no comportamento humano, acumulando impactos enormes de natureza técnica e social, ainda são incógnitas a serem encontradas e decifradas.


Teoria Geral das Forças Produtivas 10


domingo, 2 de março de 2008

Aquecimento ou Glaciação: o clima na Terra está mesmo mudando, ou é só alarmismo?

Já faz um tempinho que não escrevo sobre o meio ambiente. Embora se fale de um único "clima" na Terra - as mudanças climáticas globais e o aquecimento global, há na verdade um imenso conjunto interdependente de vários climas regionais, microrregionais e locais. No caso dos estudos atuais, faz-se habitualmente referência à queima de carbono, às condições de reabsorção de carbono e ao efeito estufa, o quadro global do clima. De fato, está incorreto considerar isoladamente apenas esse fenômeno. Também seria impróprio alguém dizer que sabe exatamente o que está acontecendo, o que ainda irá ocorrer, quando, onde e com qual intensidade. Mas também está errado, e seria ainda muito imprudente dizer que não estão em curso quaisquer mudanças climáticas - usando para isso o argumento de que as informações não são precisas -, que a atividade humana não é responsável por parte dos impactos ambientais sensíveis nos dias atuais, e que afirmar isso seria exagero ou chantagem ecológica. Isto seria desinformar os leitores e o público, sobre um assunto fundamental para a vida, e vale para jornalistas e cientistas, respectivamente.


A questão não é essa. O impacto ambiental da civilização é um fato óbvio por si mesmo, não precisa de comprovação, só de estudo. Uma pequena ilustração "microcósmica" e matemática dá uma boa idéia disso: se numa casa ou em um sítio uma árvore de bom tamanho é derrubada, o que ocorre nesse espaço pontual e desprezível, do ponto de vista global? a radiação solar passa a incidir diretamente sobre o solo e não mais sobre a folhagem das árvores, que usariam parte dessa energia para a fotossíntese. O Sol passaria então a aquecer diretamente o solo. Além disso, sob a árvore não haveria mais sombra, e não se poderia mais aproveitar esses microespaço em que o chão e o ar sob a árvore estão bem mais frescos. Embora seja insignificante para as condições climáticas, esta pequena mudança não é desprezível para quem mora no sítio ou na casa, nem para outros animais que usam a árvore ou também descansam à sombra. Segunda micro-mudança, o ciclo hidrológico também é alterado, nesse ponto. A água corre com maior velocidade "para o mar", pois não será mais retida nem pela árvore, nem pelas suas raízes, e isto causa uma terceira mudança, a do solo, que perde parte de sua resistência e se torna mais vulnerável à erosão. Nesse ponto desprezível para o clima regional e global, ainda se alteram as reações químicas e as mecânicas de composição desse solo, e as condições de umidade em torno de onde havia essa árvore. Além disso, o crescimento da árvore seria capaz de filtrar parte das emissões de carbono na atmosfera, e deixa de ter essa função de absorver o impacto da civilização.


Ao mesmo tempo, em outro ponto, vejamos uma cidade média brasileira: aumenta o número de carros, de indústrias, de esgoto, de criação de animais na área rural, de captação de água pelos sistemas urbanos e agropecuários, o uso de defensivos e fertilizantes nas plantações, o despejo de resíduos, dejetos e rejeitos nas águas dos rios, e aumenta o desmatamento em todo o município. Aquele único ponto de uma só árvore derrubada aqui já se transforma em milhares, em milhões de pontos. Agora já não é mais um fato estatisticamente desprezível. As emissões de carbono se multiplicam e as condições da atmosfera começam a mudar. Não importa se há um ciclo natural devido ao movimento dos oceanos, às manchas solares, ou outras causas, pois então isto não anula o impacto humano, mas se soma a ele!


Retomando o primeiro exemplo, se áreas muito grandes fossem desmatadas, o que ocorreria? O clima de uma microrregião inteira mudaria, ou de toda a região, e isto já afeta todos os outros climas, pois são todos interdependentes. Isso alteraria a temperatura ambiente, independente em parte até do carbono, seria uma questão local: cortaram as árvores, fica mais quente, não tem mais sombra, nem absorção da luz solar pela vegetação. O carbono já seria um fator mais grave e geral a ser adicionado. Mas, além da temperatura, muda o comportamento da água, o regime das chuvas, e esses pequenos fatores vão se intensificando e acabam alterando as médias de variação térmica, sem contar as outras alterações em curso nos solos. A isso ainda se associam a poluição do ar e da água, os problemas de erosão e lixiviação, o assoreamento dos rios e o avanço da desertificação - que ocorre em vários pontos no mundo, no final alterando as condições das estações climáticas durante o ano, ainda que levemente, mas as medições indicam um agravamento de todos esses distúrbios.


Como resultado final de tudo isso estão as mudanças climáticas globais. Pode ser até que haja fatores naturais atuando, mas certamente a ação humana é um componente considerável e decisivo, na perda de equilíbrio dos fenômenos naturais. Achar que tudo que o homem faz hoje na Terra não tem conseqüências é que seria um raciocínio estranho e incorreto, a palavra já diz, são sistemas climáticos, sujeitos a influências sistemáticas, e o homem tem sido sistematicamente agressor do meio ambiente que sustenta a sua vida.


Até que ponto essas mudanças são toleráveis é o que se estuda, mas não se há mudança ou não há, isto já é consenso, é causa e efeito, ação e reação da natureza. O alarmismo não está exatamente voltado para a intensidade das mudanças, mas para a continuidade das agressões ambientais, esse é o problema, e é preciso ser alarmista, soar o alarme, ninguém mais fará isso, a não ser quando começarem a acontecer mais catástrofes naturais. Aí já será muito tarde. Além das epidemias e enchentes, entre outros fenômenos, a produção de alimentos seria muito afetada. Há hoje pelo menos três indicativos consistentes do aquecimento global: o derretimento "acelerado" das geleiras, os registros térmicos quebrando recordes, desde que começaram as medições, e o buraco de ozônio na atmosfera.


Quanto à Terra poder oscilar entre aquecimento e glaciação, isto é verdade, pode sim, no final, em vez de prevalecer o aquecimento, ocorrer uma nova era glacial, mas não se pode deixar de dizer que a glaciação também seria conseqüência do aquecimento! É o aquecimento global o "motor de arranque" da glaciação, pela baixa da temperatura oceânica resultante da água das geleiras. Isto poderemos explicar outro dia. Outro problema gravíssimo seria a alteração das correntes oceânicas e a proliferação de algas nocivas às outras espécies no oceano, onde se produz quase todo o oxigênio (mais de 90%) que respiramos. A cultura ambiental já mudou muito nos últimos 20 anos. Imaginem se a humanidade continuasse a devastar e poluir como antes, nos níveis de produção atuais! Tem impactos sim, e são muito grandes. É preciso que todos tenham consciência disso e participem do debate social a esse respeito.



Aquecimento Global 2

 RECADOS     

PARA OS AMIGOS, ANJOS DA GUARDA E LEITORES DO BLOG: 

21/10/08, 18:18 - AINDA PREPARANDO O CAPÍTULO 3 DE HISTÓRIA DA FALA

                        - RELENDO  Bakhtin, e as "NOVAS CONFERÊNCIAS INTRODUTÓRIAS", de Sigmund Freud

                        - PRIMEIRO ARTIGO DA SÉRIE SOBRE SEXUALIDADE FOI PUBLICADO !

                        - PREPARANDO 2º ARTIGO SOBRE SEXUALIDADE: 

A ESTÉTICA DA NOVA PORNOGRAFIA (texto não restritivo) - A questão estética da pornografia é uma "não-estética", uma anti-estética, mas há um projeto para isso, e uma função ideológica implícita, quer dizer, romper com a estética faz parte de um conjunto complexo de relações sociais.